Abertura – A Importância do projeto para os negócios imobiliários
• Roberto de Souza – Diretor do CTE
Roberto de Souza iniciou o evento focando a necessidade de se debater a importância que o projeto passa a ter para os negócios imobiliários neste momento, principalmente pelo significativo crescimento e novas exigências do mercado, que têm gerado inúmeras pressões para todo o setor e seus profissionais.
Segundo ele, o setor, pela primeira vez em sua história, ganhou espaços nas reportagens, tomou as capas da mídia, ficou “chique” e em evidência, sendo isto resultado do crescimento surpreendente que demonstrou nos dois últimos anos. Os indicadores mostram que a aceleração continua, sendo que a previsão de investimentos no setor é de 50 bilhões de reais em 2008, o que significa ainda mais crédito, mais demanda e mais oferta.
Se de um lado esse crescimento é extremamente favorável e vitorioso para o setor, de outro tem sobrecarregado a todos – impondo novas tarefas a profissionais e empresas, que se encontram praticamente no limite de sua capacidade para responder com eficiência e agilidade a esta demanda – e também introduzido alguns riscos, que devem ser observados.
A falta de mão-de-obra qualificada tem provocado a disputa e rotatividade de profissionais capacitados, o aumento de salários e inserção no mercado de jovens profissionais inexperientes. Por conta disso, as empresas enfrentam riscos de gestão, e, por conseqüência, riscos técnicos, pois podem perder o controle do grande número de empreendimentos e obras em andamento, cujas operações estão hoje na mão de profissionais com baixa capacitação e maturidade.
Os prazos e custos estão difíceis de serem mantidos e há dificuldades na gestão de projetos e obras, o que pode comprometer a qualidade de todos os processos, visto que hoje é complicado, por exemplo, gerenciar praticamente 40 modalidades de projeto.
Como o setor está correndo o risco de perder a estabilidade de vários processos, é necessário: desenvolver programas de qualificação, desenvolvimento, motivação e remuneração variável, de forma que as empresas possam manter seus quadros e formar novos; integrar projetos, orçamentos, tecnologia construtiva, planejamento, movimentação e logística do canteiro, a fim de racionalizar e otimizar os recursos e o tempo em favor da redução de custos; desenvolver novas formas de parceria com seus fornecedores de projetos, materiais e serviços, reconhecendo neles uma função estratégica; praticar a gestão integrada, contemplando planejamento e programação da produção, controle de prazos, gestão da qualidade, segurança e meio ambiente, aliados a um forte controle de custos.
Por isso tudo, é que os projetos passam a assumir um papel estratégico para o êxito dos negócios imobiliários. A importância estratégica do projeto se dá na fase inicial – quando se define o produto e se faz o estudo de viabilidade, pois as empresas têm o desafio de conceber e lançar produtos diferenciados que agreguem valor ao cliente e gerem resultados para o investidor – e na fase de execução das obras, pois os projetos são os grandes indutores da industrialização da construção, da qualidade e produtividade e da redução dos custos, incluindo aqui além dos custos de produção, os custos de operação e manutenção ao longo da vida útil do empreendimento.
Portanto, quanto mais se detalhar o projeto, melhor, pois ele deve ser uma anteobra virtual. Para isso, pode-se usar uma ferramenta de muita valia, a metodologia do PMI – Project Management Institute, pouquíssimo utilizada no Brasil.
Com tantas tarefas pela frente, deve haver sinergia na cadeia produtiva do setor para refletir e agir. Finalizando, Souza afirmou que é preciso ouvir o que diz o mercado nesta nova fase e o que diz o mundo neste momento. E ele, como consultor, está ouvindo que a utilização de ferramentas de Gestão, TI e Sustentabilidade podem abreviar o caminho.