Painel 1 – Desafios do mercado imobiliário e novos modelos de gestão de projetos em incorporadoras, construtoras
e escritórios de projeto.
• Patrícia Valadares – Gerente de Projetos da Tecnisa
• Marcio Curi – Titular da MCAA Arquitetura
• Ricardo França – Titular da França e Associados
• Miriam Addor – Titular da Addor e Associados
Em sua apresentação, Patrícia Valadares deu uma mostra do explosivo crescimento das incorporadoras e
construtoras: em 2007, a Tecnisa teve um volume de lançamentos praticamente igual ao total de lançamentos ao
longo de toda a história da empresa. Ou seja, em apenas um ano lançou tanto quanto em 30 anos de empresa,
concluindo que são praticamente 30 anos em apenas um!
Seguindo esse raciocínio dos 30, afirmou que 30 vezes mais negócios e oportunidades significam também 30 vezes
mais dinheiro circulando, empregos, estresse, correria, problemas, riscos técnicos. E tudo isso expressa que não
só o volume da construção mudou, mas mudou o cliente, as aprovações para terrenos e empreendimentos, a
concorrência, as contratações, a velocidade.
Incorporadores e construtores hoje têm que lidar muito mais problemas, procurar muito mais soluções e assimilar
muitas novidades, inclusive entender e criar parceiras com outras empresas, que há pouco eram concorrentes,
sem perder seu foco e perfil.
Enfim, novas responsabilidades, clientes muito mais exigentes, projetos e produtos muito mais complexos,
profissionais capacitados e todas as variáveis que resultam de uma expansão imensa dos negócios devem amplamente
avaliadas, solucionadas e controladas.
Patrícia conclui sua apresentação afirmando que “o mercado está em um momento em que, para ter conversa de gente
grande, é necessário ser adulto”.
Jorge Königberger, reforçando que há um papel também do arquiteto como criador a ser resgatado, no sentido
principalmente de planejar ambientes viáveis, tratou de fazer um paralelo entre o momento atual do mercado e as
ameaças que um mercado acelerado traz, como: gargalos em todas as etapas da cadeia produtiva, lentidão na
formação do quadro técnico, alongamento dos cronogramas de produção, aumento dos custos de produção, redução da
qualidade e aumento dos riscos de engenharia.
Por conta de todo esse cenário, desafios se impõem ao setor, no sentido de capacitar mais rapidamente os quadros
técnicos, promover a fidelização dos seus quadros por meio de novas políticas de RH, desenvolver novos modelos
e gestão integrada de projetos e obras, regularizar a cadeia de suprimentos, consolidar o mercado em novos
patamares de produção e consumo.
Mas nem só de emergências, ameaças e riscos o setor vive hoje. Jorge enumerou também uma série de oportunidades
presentes no mercado em expansão, às quais deve-se estar atento e preparado para intervir: desenvolvimento de
novos segmentos de mercado e novos produtos, absorção de novas tecnologias, desenvolvimento da área de projetos
na indústria imobiliária e novos modelos de parcerias estratégicas.
Do ponto de vista de Ricardo França, o crescimento, amadurecimento e a estabilidade do mercado imobiliário
apresenta um horizonte significativo e muda paradigmas essenciais. É necessário hoje que o projetista compreenda
o negócio imobiliário em sua totalidade, que o mercado imobiliário compreenda que o projeto tem um papel diferente
daquele de anos atrás, pois o conceito de projeto subiu de patamar e existem hoje muito mais responsabilidades
com relação ao produto e ao longo de toda a cadeia e etapas da construção.
Miriam Addor tratou dos principais desafios para os escritórios de projeto, que estão sobrecarregados,
presenciando escassez de recursos humanos, equipamentos e materiais de obra.
Os escritórios que têm condições de atender a esta forte demanda do mercado atual são aqueles que têm coordenação
eficiente de seus processos: com dados de entrada bem definidos, fluxo de projetos adequados; planejamento
correto de entregas; acompanhamento da programação e padronização de processos. A coordenação de todos os
processos é extremamente necessária, a fim de que haja otimização do tempo, se evite re-trabalho, se conquiste
agilidade nas decisões e haja integração.
Miriam sugere, portanto, uma eficácia na coordenação e planejamento do processo de projeto, trabalhando
inclusive novos modelos de gestão, já que o Brasil trabalha hoje com cerca de 40 especialidades de projetos.