Encontro Internacional de Projetistas, Incorporadores e Construtores

Adriana Blay Levisky
Levisky Arquitetos Associados

Benedito Abbud
Benedito Abbud Arquitetura Paisagistica

Francisco Graziano
Pasqua e Graziano Associados

Henrique Cambiaghi
CFA Cambiaghi Arquitetura

João Eduardo Azevedo
Even

Jonas Birger
Jonas Birger Arquitetura

Jorge Königsberger
Königsberger Vannucchi Arquitetos Associados

Juan Andrés Vergara
HOK México

Luis Fernández de Ortega
HOK México

Mario Rocha Neto
Gafisa

Miriam Addor
Addor e Associados

Patricia Valadares
Tecnisa

Ricardo França
França e Associados

Roberto de Souza
CTE Centro de Tecnologia de Edificações

Salim Lamha Neto
MHA Engenharia

Painel 1 – Desafios do mercado imobiliário e novos modelos de gestão de projetos em incorporadoras, construtoras e escritórios de projeto.

• Patrícia Valadares – Gerente de Projetos da Tecnisa
• Marcio Curi – Titular da MCAA Arquitetura
• Ricardo França – Titular da França e Associados
• Miriam Addor – Titular da Addor e Associados

Em sua apresentação, Patrícia Valadares deu uma mostra do explosivo crescimento das incorporadoras e construtoras: em 2007, a Tecnisa teve um volume de lançamentos praticamente igual ao total de lançamentos ao longo de toda a história da empresa. Ou seja, em apenas um ano lançou tanto quanto em 30 anos de empresa, concluindo que são praticamente 30 anos em apenas um!

Seguindo esse raciocínio dos 30, afirmou que 30 vezes mais negócios e oportunidades significam também 30 vezes mais dinheiro circulando, empregos, estresse, correria, problemas, riscos técnicos. E tudo isso expressa que não só o volume da construção mudou, mas mudou o cliente, as aprovações para terrenos e empreendimentos, a concorrência, as contratações, a velocidade.

Incorporadores e construtores hoje têm que lidar muito mais problemas, procurar muito mais soluções e assimilar muitas novidades, inclusive entender e criar parceiras com outras empresas, que há pouco eram concorrentes, sem perder seu foco e perfil.

Enfim, novas responsabilidades, clientes muito mais exigentes, projetos e produtos muito mais complexos, profissionais capacitados e todas as variáveis que resultam de uma expansão imensa dos negócios devem amplamente avaliadas, solucionadas e controladas.

Patrícia conclui sua apresentação afirmando que “o mercado está em um momento em que, para ter conversa de gente grande, é necessário ser adulto”.

Jorge Königberger, reforçando que há um papel também do arquiteto como criador a ser resgatado, no sentido principalmente de planejar ambientes viáveis, tratou de fazer um paralelo entre o momento atual do mercado e as ameaças que um mercado acelerado traz, como: gargalos em todas as etapas da cadeia produtiva, lentidão na formação do quadro técnico, alongamento dos cronogramas de produção, aumento dos custos de produção, redução da qualidade e aumento dos riscos de engenharia.

Por conta de todo esse cenário, desafios se impõem ao setor, no sentido de capacitar mais rapidamente os quadros técnicos, promover a fidelização dos seus quadros por meio de novas políticas de RH, desenvolver novos modelos e gestão integrada de projetos e obras, regularizar a cadeia de suprimentos, consolidar o mercado em novos patamares de produção e consumo.

Mas nem só de emergências, ameaças e riscos o setor vive hoje. Jorge enumerou também uma série de oportunidades presentes no mercado em expansão, às quais deve-se estar atento e preparado para intervir: desenvolvimento de novos segmentos de mercado e novos produtos, absorção de novas tecnologias, desenvolvimento da área de projetos na indústria imobiliária e novos modelos de parcerias estratégicas.

Do ponto de vista de Ricardo França, o crescimento, amadurecimento e a estabilidade do mercado imobiliário apresenta um horizonte significativo e muda paradigmas essenciais. É necessário hoje que o projetista compreenda o negócio imobiliário em sua totalidade, que o mercado imobiliário compreenda que o projeto tem um papel diferente daquele de anos atrás, pois o conceito de projeto subiu de patamar e existem hoje muito mais responsabilidades com relação ao produto e ao longo de toda a cadeia e etapas da construção.

Miriam Addor tratou dos principais desafios para os escritórios de projeto, que estão sobrecarregados, presenciando escassez de recursos humanos, equipamentos e materiais de obra.

Os escritórios que têm condições de atender a esta forte demanda do mercado atual são aqueles que têm coordenação eficiente de seus processos: com dados de entrada bem definidos, fluxo de projetos adequados; planejamento correto de entregas; acompanhamento da programação e padronização de processos. A coordenação de todos os processos é extremamente necessária, a fim de que haja otimização do tempo, se evite re-trabalho, se conquiste agilidade nas decisões e haja integração.

Miriam sugere, portanto, uma eficácia na coordenação e planejamento do processo de projeto, trabalhando inclusive novos modelos de gestão, já que o Brasil trabalha hoje com cerca de 40 especialidades de projetos.



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