Com a presença de 420 profissionais do setor da construção, representando quatro países (Brasil, Canadá,
México, Estados Unidos), 13 Estados (RS, SC, PR, SP, RJ, MG, GO, DF, BA, RN, AL, PE, SE) e as mais
significativas instituições e empresas brasileiras (projetistas, incorporadoras, construtoras, consultoras,
fabricantes, prestadoras de serviços, entidades e universidades), aconteceu, no último dia 19 de junho, o
Encontro Internacional de Sustentabilidade na Construção, realizado pelo CTE – Centro de Tecnologia de
Edificações.
Na abertura do Encontro, Roberto de Souza, diretor presidente do CTE, posicionou os participantes com relação aos
diferentes aspectos da sustentabilidade e à necessidade de discuti-la amplamente no setor e na sociedade,
salientando que a presença significativa de profissionais no evento prova ser a sustentabilidade tema da maior
importância para o destino da construção e o futuro das novas gerações.
Através dos quatro painéis temáticos e as 14 palestras técnicas apresentadas no Encontro, empresas e profissionais
puderam ter uma mostra das várias dimensões da sustentabilidade e suas aplicações no setor, situando-se assim no
contexto do que está sendo efetivamente implantado no Brasil e no exterior com relação a esse tema na construção.
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Convidados internacionais falam sobre tendências mundiais e práticas da sustentabilidade na construção
O primeiro painel do Encontro contou com convidados internacionais, que trouxeram a experiência de empresas
globalizadas com relação à construção sustentável.
Juan Andrés Vergara e John Seitz, arquitetos e diretores da HOK México e Nova Iorque, mostraram exemplos de
projetos sustentáveis de empreendimentos em vários países em que atuam, analisando componentes da área de
projeto, como custos, detalhes construtivos, recursos para a eficiência energética e conservação da água,
utilização de materiais, etc. Afirmaram que a sustentabilidade é tendência mundial e, portanto, é fundamental
que o projeto incorpore em sua concepção as questões relativas à eficiência energética, economia de água,
paisagismo, uso de materiais reciclados, gestão de resíduos, coleta seletiva do lixo e conforto ambiental.
Huston Eubank, diretor de sustentabilidade da iLiv Tecnologies, apontou os caminhos atuais da sustentabilidade
no mundo e as diversas abordagens quanto à certificação e construção de edifícios sustentáveis. Falando sobre
as diferentes políticas e mecanismos disponíveis até sobre os projetos verdes, afirmou que presenciamos um
verdadeiro “tsunami verde” no mundo e devemos aproveitar com responsabilidade esse momento de preocupação com
o futuro do planeta.
Luiz Henrique Ceotto, da Tishman Speyer, apresentou premissas com relação à construção e suas interfaces com
a sustentabilidade. Ceotto afirmou, por exemplo, que o impacto da construção de edifícios no meio ambiente é
muito maior na fase de uso do edifício do que na de construção e que o maior impacto na operação se dá pelo
consumo de energias (eletricidade, gás, diesel) e de água potável. Por isso, um edifício será tão mais
sustentável quanto maior for a economia na sua operação (energia e água), sendo que já existem disponíveis
diversas tecnologias para a redução desses consumos. Indo mais além, Ceotto, afirmou que a sensibilização do
investidor e do cliente é decisiva na viabilidade da sustentabilidade, sendo o processo de certificação LEED
uma ferramenta importante de marketing tanto para atingir o investidor como o cliente.
Profissionais apresentam exemplos de sustentabilidade em empresas brasileiras do setor da construção
No segundo painel foram apresentados três cases nacionais de sustentabilidade na construção. Otavio Pereira
Magalhães, diretor de engenharia da Prosperitas, falou dos empreendimentos REC BERRINI e a forma como estão
integrados, desde a concepção, à sociedade e ao meio ambiente. Magalhães também expôs valores e ganhos que a
organização obtém ao desenvolver empreendimentos sustentáveis, como: preservação da natureza, melhoria do
bem-estar dos usuários, valorização das necessidades dos clientes, visão de futuro, valorização dos ativos,
implementação de novas tecnologias.
Aron Zylberman, da Cyrella, apresentou o Programa Cyrela de Responsabilidade Social, salientando que a marca,
reputação, qualidade da governança, qualidade da gestão, aspectos sociais e trabalhistas, e também a
consideração com os ecossistemas nas comunidades onde a empresa opera, são temas que ganham relevância quando
se trata de sustentabilidade e responsabilidade social na empresa. Afirmou ainda que responsabilidade social
empresarial deve ser conduzida pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os
quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento.
Cristina Fedato apresentou o do programa TEAR/ETHOS sobre sustentabilidade aplicada à cadeia produtiva da
construção. Segundo Fedato, a empresa sustentável é aquela que trabalha de forma integrada todos os aspectos
do ambiente externo e ambiente interno, da gestão social e gestão ambiental. Nas condições atuais do setor da
construção, Fedato afirma que é necessário fortalecer a gestão das empresas, melhorar a relação com todos os
envolvidos no processo e aprender e compartilhar uma nova forma de fazer negócios.
Representantes de entidades discutem modelos de certificação aplicáveis à realidade brasileira
No terceiro painel, Vanderley M. John, conselheiro do CBCS e professor da Escola Politécnica da USP, lembrou
que, embora a sociedade industrial ofereça uma vida melhor, há um grande consumo de recursos naturais e uma
grande produção de resíduos que estão destruindo o planeta. Na construção, os resíduos são superiores ao lixo
urbano, há uma queima considerável de combustíveis para produção, transporte de materiais e uso dos edifícios,
sendo que os edifícios são responsáveis pelo consumo de 45% da energia elétrica e 21% da água disponível. John
acredita que é preciso mudar e, mais que isso, transformar a cultura da empresa e sua relação com o meio. A
agenda verde (green building) não é suficiente para esta transformação e a construção sustentável deve levar
também em consideração o aspecto ambiental, social e econômico. Hoje, pertencem à agenda do CBSC os seguintes
itens: combate à informalidade na construção, enfrentamento da mudança climática, redução do consumo de
recursos naturais, promoção do uso racional da água e eficiência energética.
Nelson Kawakami, diretor executivo do GBC Brasil, falou sobre o modelo americano de certificação LEED e sua
aplicação no Brasil, apontando de início a importância dos cinco “Rs”: reduzir, reusar, reciclar, renovar e,
principalmente, repensar/reinventar, enxergando as coisas de maneira diferente. Kawakami definiu a construção
sustentável (Green Building) como a edificação ou espaço construído que teve na sua concepção, construção e
operação o uso de conceitos e procedimentos reconhecidos de sustentabilidade ambiental, proporcionando
benefícios tanto econômicos como para a saúde e bem-estar das pessoas. A CSG tem como objetivo ser a principal
referência em construção sustentável no país.
Cesar Augusto de Paula Pinto, coordenador do Pólo de Construção Civil do Instituto Falcão Bauer da Qualidade,
apresentou o modelo de certificação de produtos, o Selo Ecológico Falcão Bauer. Os objetivos principais desta
certificação são a redução de impactos negativos da atividade produtiva, em todas as suas etapas, e o
compromisso com a melhoria contínua, sob o ponto de vista da qualidade, ambiental e social. César Augusto
demonstrou análises quanto à legislação ambiental e trabalhista, às normas técnicas (principalmente do
desempenho do produto), à caracterização química, ao ciclo de vida do produto e às ações de melhoria
ambiental e/ou social.
José Joaquim do Amaral Ferreira, diretor de certificação da Fundação Vanzolini/USP, falou sobre o modelo
francês de certificação HQE/AQUA e sua aplicação no Brasil. Segundo ele, hoje os desafios estão concentrados
na redução do consumo de energia e de água. O AQUA — Alta Qualidade Ambiental é uma adaptação para o Brasil
do HQE — Haute Qualite Environnementale, e tem como objetivo a redução dos resíduos e da poluição do solo,
ar e água, o conforto e a saúde dos indivíduos, no sentido de promover menor impacto ambiental, melhor
qualidade de vida para os usuários e maior produtividade dos usuários.
As novas tecnologias sustentáveis para empreendimentos também foram abordadas no Encontro
O quarto e último painel trouxe Fernando Whestphal, consultor do CTE, para abordar a eficiência energética e
o desempenho térmico de edificações. Baseando-se em indicadores de análise e desempenho, Whestphal definiu
eficiência energética como a execução de um mesmo serviço com menor consumo de energia. Concluiu que cada
clima exige soluções diferentes, a simulação de desempenho térmico é fundamental para conseguir bons
resultados, o processo de simulação garante integração entre disciplinas, a certificação LEED está
introduzindo novas tecnologias e mudando a forma de projetar, e o projeto certificado LEED exige uma
combinação de medidas.
Carla Sautchuk, da Tesis, falou sobre tecnologias para o uso racional da água, afirmando que o consumo de
água depende do usuário e do projeto. Houve uma evolução de conceitos nos últimos tempos: o Uso Racional da
Água – URA (que apresenta um enfoque da demanda e visa à otimização em busca do menor consumo de água
possível mantidas, em qualidade e quantidade, as atividades consumidoras) tem dado lugar ao conceito de
Conservação de Água – CA (que apresenta um enfoque na demanda e oferta, visando à otimização da demanda
somada à implementação de ofertas alternativas de água, empregando água “menos nobre” para fins “menos
nobres”). Tratou também de conservação da água na construção, que envolve vários desafios à concepção em
projeto, execução monitorada, gestão de insumos, ações Institucionais e desafios tecnológicos.
Ricardo Gustavo Neuding, diretor da ATA, falou sobre emissões de carbono no setor da construção e
empreendimentos imobiliários, destacando a necessidade da gestão de carbono e da promoção de ações para a
redução de emissões, de forma a se ter controle das emissões indiretas, das diretas e das do produto final. A
ATA disponibiliza a ferramenta para quantificar emissões de gases de efeito estufa em construções como base
para estratégias de gestão de carbono a serem desenvolvidas pelos empreendendores imobiliários no Brasil. Paulo
Lisboa, vive-presidente da Azia, falou sobre Projeto e Tecnologias Sustentáveis.