O que a Educação Ambiental tem a ver com a construção civil?

Em 1980, o conceito de Educação Ambiental, ainda de forma isolada e pontual, começou a conquistar seu lugar, sendo abordado nas SIPATs (Semana Interna de Prevenção de Acidentes) ou em palestras de cunho meramente informativo.

Na década de 90, com a “onda” dos sistemas ISO e, depois, com os sistemas SGA (Sistema de Gestão Ambiental) e SGI (Sistema de Gestão Integrado), o conceito “entrou para ficar”.

A ISO 1400, por exemplo, enfatiza, entre inúmeros procedimentos, a importância dos processos de conscientização como um dos elementos centrais da implantação de um Sistema de Gestão Ambiental. Mas, apenas em 1999, a Educação Ambiental foi definitivamente tratada pela Lei Federal nº 9.795, que, em seu Art. 1º, afirma: “entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à qualidade de vida e sua sustentabilidade.”

Sabendo que a Educação Ambiental é uma ferramenta necessária e fundamental para a nossa sociedade e para o universo da construção civil, é importante que façamos uma reflexão sobre este instrumento.

Afinal o que a Educação Ambiental tem a ver com a construção civil?

Todos sabem que a cadeia da construção, infelizmente, ainda é a que mais polui, consome mais recursos naturais e causa fortes impactos ao meio ambiente em vários outros aspectos. Mas também sabemos que existem muitas iniciativas positivas e pró-ativas para que este cenário mude.

A “onda” do Green Building, por exemplo, é um bom exemplo de mudança. Mas será que basta pensar, construir e usar um empreendimento que contribui para o meio ambiente? E as pessoas envolvidas com a construção e com a ocupação?

E os peões — como são conhecidos os colaboradores da obra — que constroem empreendimentos “verdes”? Será que eles aprendem algo com esta experiência? Será que a vida deles muda para melhor?

E as pessoas que irão usufruir do empreendimento? Será que os usuários, locatários e proprietários mudam sua forma de ver o mundo quando ocupam um edifício verde? Mudam seu posicionamento em relação aos dilemas socioambientais que vivemos?

Será que todos passam a fazer coleta seletiva do lixo em casa e no trabalho? Orientam suas famílias também para mudanças de hábitos que possam melhorar o meio ambiente?

A resposta é sim! E este “sim” surge graças aos Programas de Educação Ambiental.

Hoje existem muitos programas de alta qualidade, direcionados aos diferentes tipos de públicos da construção: colaboradores de obra e empreiteiros, engenheiros, corretores de venda, locatários e proprietários, empresas de administração predial.

Segundo Reigota (1994), é necessário que uma nova cultura seja construída para lidarmos com as questões ambientais e, conseqüentemente, com a melhoria de nosso hábitat. Quando falamos em educação ambiental, estamos lidando com pessoas, individualidades, crenças, valores e cultura, ou seja, com hábitos que determinam comportamentos, consolidando-se em um cenário complexo que engloba ações tanto no ambiente interno da empresa (trabalho) quanto externo.

                             

Pensar em educação ambiental significa sensibilizar, promover sentidos de co-responsabilidade, criar espaços de diálogos, trabalhar a valorização da vida (em todas as suas formas), ampliar a visão sistêmica da intersetoridade dos processos envolvidos, compreender a relação entre qualidade de vida e sustentabilidade dentro e fora da empresa. Os Programas de Educação Ambiental, além de todos estes aspectos descritos, contribuem também para um melhor desempenho das certificações ambientais, que hoje estão disponíveis no mercado.

Por isso — ao abordarmos esses aspectos, criando espaços dinâmicos para que sejam amplamente discutidos e absorvidos — todos saem ganhando!

Se você também acredita que a educação é a maneira mais eficaz de mudar a nossa sociedade, comece a implantar ações educomunicativas em sua empresa e em seu trabalho. Explore, “sem medo de ser feliz”, várias ações, todas simples e realizáveis. Faça campanhas, oficinas, cursos, atividades; desenvolva atividades outdoors, quadros informativos, jornais; promova programas de rádio, filmes, exposições. Enfim, explore e fomente tudo o que o universo da comunicação oferece e que possa contribuir com a emancipação da educação ambiental de cada indivíduo.

Aproveite os últimos meses de 2008 para repensar o ano de 2009.

Em que você e sua empresa podem melhorar? O que podem fazer para tornar os indivíduos melhores e mais conscientes?

Chegou o momento de implantar ferramentas que possibilitem transcender o comportamento e a mente: queremos um melhor desempenho ambiental, que contribua para a racionalização do consumo de matérias-primas e gere benefícios competitivos.

É claro que, nem de longe, este artigo pretende esgotar o assunto, que, pelas suas características de dinamismo, está sempre em processo de desconstrução e reconstrução. Mas deixamos aqui o sabor da experiência e da reflexão 360 graus da Educação Ambiental: investir no capital humano, social e ambiental é destinar a empresa ao sucesso, à prosperidade e à sustentabilidade por muitos anos!

 

 Colaboradores de obra na construção da sede do banco Morgan Stanley, que conquistou a certificação LEED® FOR COMMERCIAL INTERIORS, participam de dinâmicas que promoveram a educação ambiental. 

Referências bibliográficas:
VILELA JR, A. & DEMAJOROVIC, J. (orgs). Modelos e Ferramentas de Gestão Ambiental: desafios e perspectivas para as organizações. São Paulo: SENAC, 2006.

REIGOTA, M. O que é educação ambiental. São Paulo: Brasiliense, 1994.

LEI Nº 9.795. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9795.htm. Acesso em nov. 2008.