Construtoras estão atentas à gestão de segurança em obras

Como deve ser feito o planejamento de segurança de uma obra? Que requisitos esse planejamento deve atender e de que itens deve ser composto?

O planejamento de segurança do trabalho de uma obra deve ter o objetivo de: identificar os perigos e riscos inerentes aos processos de produção de um empreendimento, implementar medidas de controle dos riscos e medidas preventivas de segurança no meio ambiente do trabalho para manter a saúde e a integridade dos funcionários e dos demais participantes envolvidos na obra, incluindo fornecedores, clientes e a vizinhança.

No Brasil, o planejamento de segurança do trabalho é previsto pela legislação vigente na portaria ministerial 3214/78 do Ministério do Trabalho e em sua Norma Regulamentadora - NR.18, que é a base do “Programa de Condições do Meio Ambiente do Trabalho – PCMAT” na indústria da construção civil.

O planejamento de segurança deve promover e estabelecer critérios e padrões para:

• identificação de perigos existentes nos processos de produção de um empreendimento, levando-se em conta as diferentes fases da obra;
• avaliação dos riscos, a partir dos perigos identificados, tendo como base critérios de probabilidade e gravidade do evento ocorrer;
• determinação, priorização e implementação de controles para eliminação ou minimização dos riscos avaliados;
• monitoramento e análise da efetividade dos controles estabelecidos;
• melhoria do planejamento e dos controles definidos.


De forma geral, quais são os pontos críticos da elaboração de um plano de segurança de uma obra?

A maior dificuldade na elaboração do plano de segurança em uma obra é a integração entre a equipe de engenharia de segurança e a equipe de engenharia de produção da obra.

O planejamento da obra (que inclui o cronograma físico e financeiro) muitas vezes não leva em consideração os requisitos e controles de segurança definidos na legislação e nos procedimentos internos da própria empresa.

Isso ocorre, muitas vezes, por falta de uma sistemática que garanta a participação da equipe de segurança desde a fase de projeto, de planejamento e até de orçamento. Na grande maioria das obras, a equipe de engenharia de segurança é apresentada à obra semanas antes - ou mesmo após - o seu início, sem tempo hábil e sem os recursos necessários (pessoas e equipamentos) para elaboração, implantação e operação do plano de segurança


Que tipo de ferramentas as empresas podem dispor na hora de realizar seus planejamentos de segurança?

A ferramenta que vem trazendo excelentes resultados para empresas do setor da construção é o Sistema de Gestão Integrada – SGI com base nos requisitos das normas NBR ISO 9001 e OHSAS 18001.

Em um SGI, todos os processos são contemplados através de procedimentos e padrões que integram os controles de produção e os controles de segurança, além de promover o atendimento integral às legislações vigentes.

O SGI permite que os controles da qualidade e de segurança convivam juntos e em harmonia. Em um SGI não é possível planejar a execução de uma etapa da obra sem levar em consideração os riscos envolvidos nas atividades.

Contudo, a integração deve extrapolar o papel e ser vivenciada no chão da fábrica. Para que isso ocorra, a palavra mágica é treinamento: muito investimento em treinamento e capacitação.


Episódios como o do Metrô, em São Paulo, mostram a importância de se haver um plano de comunicação e de emergência adequado. O senhor acredita que as construtoras, de forma geral, estão atentas a essa necessidade?

Sim, estão. Muitas construtoras já possuem um SGI e os seus planos de segurança prevêem os planos de atendimento a emergências. Porém, não basta ter o plano, é preciso usá-lo e colocá-lo em prática! E, novamente, esbarramos com a palavra treinamento. É preciso realizar simulados de emergência, é preciso capacitar a equipe nos primeiros socorros e no combate ao incêndio. É preciso sinalizar o canteiro de obras e dispor de equipamentos adequados.

Um plano de comunicação é fundamental. A empresa e a equipe da obra precisam se comunicar com os funcionários, fornecedores, clientes e a vizinhança para transmitir as orientações que devem ser seguidas em caso de acidente ou de situação de emergência, onde o perigo é iminente.

* Josaphat Baía é Diretor Técnico da Unidade de Consultoria Empresarial do CTE (Centro de Tecnologia de Edificações). Engenheiro Civil pela Escola Politécnica da Universidade de Pernambuco (1995) e Mestre em Engenharia pela Escola Politécnica da USP (1998). Auditor Líder ISO 9001 pelo IRCA (1999). MBA Executivo pelo Ibmec São Paulo (2008). Especialista em Sistemas de Gestão Integrada (qualidade, meio ambiente, segurança do trabalho e saúde ocupacional). Co-autor do livro “Sistema de gestão para empresas de incorporação imobiliária” (O Nome da Rosa, 2004).