MP não descarta pedir a paralisação das obras

As obras da Arena Corinthians correm risco de interdição. O promotor do Ministério Público Estadual José Carlos de Freitas, da promotoria de Habitação e Urbanismo e que investiga o impacto das obras nos arredores, afirmou que pode solicitar a paralisação dos trabalhos dependendo do resultado dos laudos da Polícia Científica.

No inquérito do MPE há relatório do Corpo de Bombeiros em que o órgão constata 50 irregularidades no projeto técnico da arena. Os problemas se referem à segurança de incêndio do local e outros acidentes. Entre as observações, estão ajustes nas rotas de fuga, como proibição de portas e portões de correr nas saídas de emergência.

Outra exigência dos bombei-rosé que as saídas verticais possuam largura mínima de 1,20 m. No começo da semana o MPE agendou com o Corinthians uma vistoria no estádio para dezembro, para averiguar os problemas apontados.

Outra ameaça às obras foi feita pelo Sindicato dos Trabalhadores de Indústria de Construção Pesada. A entidade pediu ontem ao Ministério do Trabalho e Emprego o embargo da construção pelo menos até o fim da perícia. Em nota ao Estado, o ministério diz que "toda classe representativa pode solicitar pedidos à fiscalização do trabalho, mas apenas o relatório técnico dos auditores fiscais do trabalho poderá definir a interdição, ou não, de alguma obra".

O ministério lembra que a perícia na arena ainda está em andamento e que as normas trabalhistas estipulam prazo mínimo de 72 horas para avaliação.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) informou que vem acompanhando as obras em Ita-quera desde o início. "As últimas inspeções técnicas realizadas pelo Setor Pericial do órgão não constataram a existência de irregularidades cuja gravidade pudesse comprometer a segurança e saúde dos trabalhadores", afirma. O órgão diz que fará hoje nova inspeção técnica para investigar as causas do acidente.

A Prefeitura de São Paulo afirmou que a documentação das obras da Arena Corinthians está em dia. O Alvará de Aprovação e Execução de Edificação foi aprovado em 31 de maio.

Mas técnicos que trabalharam para a Fifa nos últimos anos monitorando as obras de estádios no Brasil alertaram já em 2010 que eventual atraso poderia colocar em risco a segurança. "Não foi uma vez só que dissemos isso", declarou um deles.

"Temíamos por pelo menos dois aspectos. O primeiro era que, com obras aceleradas, trabalhadores pudessem sofrer algum dano. O outro risco era de que algo pudesse ocorrer durante um jogo da Copa."

O delegado Luiz Antônio da Cruz, titular do 65.0 Distrito Policial (Artur Alvim), será o responsável pela investigação. Ele deve intimar o engenheiro responsável pela obra, Frederico Barbosa, e funcionários que trabalhavam no momento do acidente. Andrés Sanchez também deve ser chamado.

Fonte: O Estado de São Paulo