Não existe bolha imobiliária no Brasil

O mercado imobiliário brasileiro está ou não vivendo uma bolha em função de dois grandes eventos: Copa do Mundo e Jogos Olímpicos de 2016? Para alguns economistas que trabalham no setor, esta tese se confirma uma vez que imóveis colocados à venda, principalmente na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro estão com preços superfaturados. Isso, sem mencionar o setor de locação que segue a mesma tendência.

No entanto, há outros especialistas que são contrários e afirmam que tudo não passa de uma acomodação de preços e valorização de áreas que estão recebendo investimentos públicos e privados. O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio de Janeiro (Sinduscon-Rio), Roberto Kauffmann, descarta qualquer possibilidade de o setor estar passando por bolha em função desses eventos. Em entrevista exclusiva ao MONITOR MERCANTIL, fala sobre esse tema e outros que são de grande importância para o segmento, como os investimentos na Zona Portuária do Rio.

Segundo alguns economistas há ou não uma bolha no setor em função da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos?

- Não existe no Brasil possibilidade de bolha. Isso se deve quando são feitos mais de um empréstimo sobre o mesmo imóvel, o que ocorre principalmente nos Estados Unidos. A legislação brasileira não permite o que ocorre lá fora.

A Zona Portuária do Rio, que está recebendo grandes obras, é uma boa opção para se investir no mercado imobiliário e/ou construção?

- Sim, para instalações de uso misto (escritórios, lojas, hotéis, shoppings, apart-hotéis). A área do Porto Maravilha é de 5 milhões de m².

Essa revitalização que o governo municipal está fazendo no centro da cidade e na área do porto atrai as construtoras?

- Atrai muito devido ao projeto, que é muito bem elaborado e significará uma área central bem moderna e diversificada.

A Zona Portuária tem capacidade (área disponível) para grandes empreendimentos?

Sim, e já estão ocorrendo.

Além do Centro, quais outras áreas que o setor pode investir?

- As áreas dos corredores de mobilidade urbana: Transoeste, Transcarioca, Transbrasil e Transolímpica.

O aumento das taxas de juros dificulta a venda de imóveis?

- Não, as taxas dos financiamentos são reguladas e não estão sendo elevadas.

Como a Zona Portuária terá uma via expressa por baixo da terra (o Mergulhão), as demais ruas locais são antigas e estreitas para o trânsito pesado e não há metrô na região, o acesso aos novos empreendimentos não poderá ser dificultado? E isso poderá prejudicar novos empreendimentos?

- De forma nenhuma. Sugiro ver no galpão construído na área portuária pela concessionária Porto Novo as maquetes, inclusive eletrônicas que apresentam detalhadamente todo o projeto.

Por Marcelo Bernardes

Fonte: http://www.monitormercantil.com.br/index.php?pagina=Home