RJ: Uma nova estação

Você acorda e quer ler o jornal enquanto come um pão quentinho. Simples. Desce do seu prédio e caminha até a padaria e a banca de jornal. De quebra, na volta, ainda dá uma olhadinha para ver como o mar está hoje. Falando assim, nem parece a rotina de um morador de cidade grande, não é mesmo? Mas é assim uma típica manhã de domingo para os moradores do Jardim Oceânico, um sub-bairro privilegiado que fica no começo da Zona Oeste, logo após São Conrado.

A Barra é conhecida por seus condomínios-bairros e altos edifícios, em que o carro é necessário para se fazer quase tudo, de comprar um pão a ir à academia. E, no meio desse estilo de vida, essa pontinha se difere. Prédios baixos, comércio na porta de casa, ruas arborizadas, praia logo ali e, em breve, uma reorganização na mobilidade local - principalmente por causa da chegada da Linha 4 do metrô e do BRT - são as principais vantagens do Jardim Oceânico. Os prédios têm, no máximo, três andares devido ao gabarito da área, que estabelece tal limite. Há algumas exceções na beira da praia que permitem construções um pouco mais altas, mas são pontuais.

- O Jardim Oceânico oferece grande qualidade de vida. As pessoas se conhecem, e você pode fazer várias coisas a pé. Quando cheguei aqui, há 38 anos, não tinha nada. As ruas eram de barro, e quando chovia era problemático. Era preciso ir "ao miolo" da Barra para fazer tudo. Isso mudou e, hoje, há farmácias, bancos e todo tipo de serviço disponível - lembra Solange Portela de Andrade, que comanda a JB Andrade Consultoria de Imóveis junto com o marido, João Batista de Andrade, fundador da empresa, que está há quase quatro décadas na região.

Fernando Brandão, dono de uma imobiliária que leva o seu nome, atua no Jardim Oceânico há 21 anos e ressalta, entre as transformações do sub-bairro, o pólo gastronômico que se consolidou no entorno da Avenida Olegário Maciel. Segundo ele, até então, a área mais valorizada sempre havia sido a mais próxima da Praça São Perpétuo, conhecida como Praça do "Ó". Mas outras ruas, desta vez perto do metrô, começam a se destacar, afirma.

- As pessoas não querem ficar grudadas, mas querem ir até o metrô sem carro. Esta mobilidade só o Jardim Oceânico terá. Ter a praia perto, daqui a pouco o metrô, e poder ir comprar pão a pé são fatores de qualidade de vida que pesam - diz Brandão.

A CHEGADA DO METRÔ
A Linha 4 do metrô está prevista para começar a operar a partir de 2016. A estação do Jardim Oceânico ficará na Avenida Armando Lombardi, na altura do Shopping Barra Point, onde haverá também uma parada do BRT. As estações serão interligadas por escadas rolantes. A obra inclui a urbanização do entorno, com ciclovia e calçadas, explica o subprefeito da Barra e Jacarepaguá, Alex Costa.

- O metrô vai trazer mais desenvolvimento, mas não só pelo aspecto da mobilidade. A cultura do morador da Barra é a de usar o carro. Talvez, com o metrô chegando ali, esta cultura vá mudar - diz Costa, que completa: - A valorização dos imóveis da região começou assim que as obras foram anunciadas.

Sendo uma área diferenciada, com poucos terrenos para se construir e com o impacto das obras de transporte, a demanda é bem superior à oferta. Os especialistas do mercado concordam que essa valorização será contínua e gradativa, resultado das transformações passadas e melhorias futuras, mesmo com um mercado atualmente mais acomodado, em ano de crise.

Hoje, o valor do metro quadrado para venda na região varia entre R$ 10 mil e R$ 14 mil. No restante da Barra, o preço médio é de R$ 10.462. O aluguel, segundo Brandão, está em torno de R$ 4.500 - considerando um imóvel de metragem média do sub-bairro, de 150 metros quadrados.
- Houve valorização desde quando as Olimpíadas foram confirmadas. Não sei ainda se vai valorizar mais, pois o mercado está mais acomodado. A tendência é que ocorra uma migração para o Jardim Oceânico, especialmente com a facilidade do transporte público. Vai acontecer naturalmente - acredita Brandão.

- O Jardim Oceânico é um sub-bairro contemporâneo que vai ser valorizado. Será como um oásis, uma ilha dentro da Barra. Tem boa arquitetura, qualidade de vida, um gabarito que faz a diferença, com pouco adensamento. Outra coisa é que os apartamentos têm estruturas amplas, com varandas espaçosas. Vai ser valorizado, principalmente por causa da lei da oferta e da procura - completa Rubem Vasconcelos, presidente da Patrimóvel.

PERFIL E GABARITO
O que poderia soar como um empecilho, o gabarito - que permite construções de até três pavimentos somente -, é tido como uma carta na manga por quem entende do assunto. Tanto para Solange quanto para Brandão, a limitação não atrapalha. Pelo contrário, é um valor agregado, que ajuda a manter o ar bucólico da região.

Segundo Brandão, o imóvel típico do Jardim Oceânico é o de três quartos. O perfil dos moradores, conta ele, é bem variado, com boa parte migrando da Zona Sul, inclusive artistas, que podem ficar entre os estúdios da Zona Oeste e os teatros dos bairros vizinhos.

Solange explica que, apesar de poucos terrenos e da limitação vertical, ainda há espaços para construção. Isso porque algumas casas, que pertenciam a famílias grandes, hoje são vendidas para dar lugar a unidade menores. Segundo ela, atualmente a demanda está mais voltada para os imóveis de dois quartos. Tanto que sua empresa já entregou um empreendimento com esse perfil recentemente, e vai lançar outro até o fim do ano.

Fonte: O Globo, 29/06/2015