Primeira visão da COP-21 e o setor da construção

No sábado, 5 de dezembro, foi concluída a primeira semana da CoP-21, com o Dia de Ação e a publicação da minuta do Acordo de Paris. Entretanto muitas questões ficaram em aberto para negociação pelos ministros.

As maiores pendências dizem respeito ao financiamento das ações de mitigação e adaptação dos países mais vulneráveis. Outro ponto relevante é a diferenciação entre os países (partes) e suas respectivas responsabilidades. A questão principal aqui é se apenas os países desenvolvidos devem contribuir para o financiamento ou também os países em condição de fazer isto. Uma terceira questão diz respeito ao horizonte para zerar as emissões dos fósseis e finalmente como serão revistas as metas que os países estão assumindo aqui.

Nos eventos paralelos temas muito comuns incluem as possibilidades de se chegar a 100% renováveis, o fim dos subsídios aos combustíveis dos fósseis, a precificação do carbono, seja via imposto ou mercado e um tema caro ao Brasil que é o reflorestamento.

Várias eventos também agregam governos subnacionais a exemplo de estados e provinciais ou cidades. O Fórum das grandes Cidades (C40) anunciou compromissos arrojados de alocação de recursos para adaptação. Os grupos já não são apenas os originais pois têm crescido significativamente o número de participantes e surgem iniciativas em busca da neutralidade do carbono, uso de resíduos municipais e parceria para financiamentos. Destaque para a prefeitura de Palmas, no Brasil, que aprovou uma lei de incentivo à geração distribuída inclusive com cessão onerosa de áreas municipais.

A palestra do Brasil em Energia, na Embaixada, não avançou nada em relação aos INDCs (Intended Nationally Determined Contributions) que são, definitivamente, pouco arrojados considerando os volumes que que pretende atingir até 2030 para renováveis não hídricas (solar e eólica). No outro extremo a Índia lançou a International Solar Initiative que pretende instalar 100GW de solar até 2020.

No setor de construção, que é sabidamente responsável por em torno de 30% das emissões globais, foi formada uma aliança para combater a mudança climática.

Esta Aliança é composta inicialmente por 20 países e o Brasil faz parte dela com outros países como Estados Unidos, França, Marrocos, Suécia, Canadá, Áustria, Alemanha, México, dentre outros, com apoio de grandes corporações e sociedade civil, destacando-se a International Union of Architects (UIA), o World Green Building Council (WGBC) e a European Construction Industry Federation (FIEC). 

Entre os objetivos da Aliança está minimizar a demanda de energia, tornar verde a cadeia de valor da construção, integrar as energias renováveis através da energia dos municípios, implementar projeto de construção integrada e planejamento urbano, e envolver instituições de financiamento, além de buscar mais resiliência nas cidades e infraestrutura do futuro.

Reduzir a demanda de energia no setor da construção é uma das estratégias mais rentáveis para alcançar reduções significativas de gases de estufa.
 
Por Osvaldo Soliano, diretor do Centro Brasileiro de Energia e Mudança do Clima – CBEM

Fonte: CBIC, Notícias, 07/12/2015