As mil e uma faces de um site - qual o posicionamento mais apropriado para uma empresa na web?

Por Ana Cecília Tobias Ribeiro

Estamos vivendo a pré-história da internet, porém vários passos estão sendo dados. Muitas empresas estão cedendo aos encantos da internet e transpondo para o ambiente web uma espécie de "sede virtual" de suas empresas. Pode-se caracterizar o posicionamento das empresas do mundo "off-line" para o "on-line" de formas diferentes, desde o modelo simples, com caráter exclusivamente institucional, até o mais complexo com proposta comercial embutida.

Um fato interessante neste contexto é o desconhecimento das empresas pelo assunto, visto que já existem muitas ferramentas e "utilidades" na web que poderiam, já neste momento, estar contribuindo para a efetividade das empresas. Muitos profissionais parecem muito pouco interessados no assunto e, uma dúvida que surge diz respeito a isso ser somente falta de informação ou, se o assunto internet está mesmo relegado a um segundo plano. Os colaboradores corporativos preferem, em alguns momentos, dizer que é um "problema" exclusivo de tecnologia ou dos conhecido "biteiros" (aqueles que tomam conta dos departamentos de informática).

Esses aspectos nos levam a crer que a forma e o conteúdo utilizados por uma empresa para se posicionar na internet remete, em alguns casos, a certa distorção em relação ao seu atual posicionamento frente ao mercado. As corporações ainda têm grandes dúvidas sobre o que fazer na internet e como aproveitar da melhor forma possível as oportunidades. Muitas empresas que estão desenvolvendo um trabalho de criação de "sede virtual" navegam pelas seguintes estratégias: "Eu conheço um amigo do meu filho, ou eu tenho um sobrinho, ou eu conheço um garoto - que faz o trabalho todo por R$ 400 ou R$ 500". Existem também empresas de mídia impressa que bonificam seus clientes com 4 ou 5 páginas web, quando estes anunciam em seu veículo. É o conhecido "é de graça".

Uma certeza que podemos ter deste trabalho é: "ninguém sabe o que vai acontecer com este site". Não porque estamos desconfiando da capacidade deste "profissional" programar bem em "dreamweaver", "front page", ou mesmo "flash", mas em saber se o objetivo da empresa foi suficientemente compreendido para ser abordado na internet. Nesta hora fica claro que somente tecnologia não funciona. É um conjunto de tarefas multidisciplinares que necessitam de uma coordenação estratégica.

Também é importante definir quem é o interlocutor de todo este processo de desenvolvimento e o organizador de toda as informação. Muitas vezes quando estamos no meio de um projeto digital, o negócio todo pára porque a própria empresa descobre que depois de toda a discussão em torno do seu negócio off-line, que está agora caminhando para o mundo on-line, está confuso. Sua missão e estratégia competitiva necessitam de um tratamento específico por meio de um entendimento profundo para iniciar a transposição para o mundo "on-line". Este é um trabalho que pode gerar um realinhamento de tomada de decisões e levar a descobertas surpreendentes.

Um projeto de desenvolvimento digital deve ser encarado com muito profissionalismo, pois vai gerar exposição. Também é importante analisar profundamente o público-alvo, compreender a visão sistêmica do negócio e ter a consciência de que se abre um novo canal de comunicação da empresa com o seu mercado. Nesse sentido, o posicionamento mais adequado para cada empresa na web, depende muito do seu grau de entendimento sobre qual o nível de comunicação que se deseja da internet para cada negócio em particular.

Uma outra etapa decisiva para o sucesso do projeto é estabelecer a melhor estratégia de trabalho, que é específica para cada empresa, pois o nível de customização é muito grande. Muitos cuidados devem ser tomados, de forma que a proposta de conteúdo se encaixe perfeitamente na comunicação visual proposta. Embora nos negócios "off-line" questões como estas relativas à estratégia competitiva, comunicação, tecnologia e profissionalismo, já estejam suficientemente discutidas, no mundo da internet são novas e nos desafiam a equaciona-las.

Ana Cecília Tobias Ribeiro é diretora de marketing do NaObra.

 

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Sábado, 4/2/2012