Quem tem medo da sustentabilidade?

Em tempos de Globalização, cada vez mais as empresas têm acordado para a realidade de que, além do retorno econômico, seus produtos e serviços devem apresentar um compromisso com a sociedade e com o meio ambiente. Isso se chama sustentabilidade.

No entanto, muitas empresas da construção civil permanecem com a mentalidade de que a sustentabilidade e o desenvolvimento econômico não podem andar juntos.

Pelo contrário, a sustentabilidade impulsiona o crescimento das empresas e traz ganhos efetivos para a sociedade, pois abre novos mercados, gera empregos e produz ciência.

É o caso das áreas de transbordo e triagem, conhecidas como ATTs. São locais onde podem ser recebidos os resíduos da construção civil e resíduos volumosos (móveis e equipamentos domésticos inutilizados, entre outros). O principal objetivo nessas áreas é fazer a triagem, o armazenamento temporário, alguma eventual transformação, e a posterior remoção dos materiais segregados para destinação adequada, quer seja o reaproveitamento (material ou energético), quer seja a compactação em aterros específicos. Temos assim uma preocupação sócio-ambiental que gera resultados economicamente mensuráveis. E quem ganha com isso não é apenas o transportador de resíduos - como muitos ainda imaginam - mas também o construtor, que passa a assumir uma postura pró-ativa ao gerenciar os resíduos que produz. Ganham também os fabricantes de materiais, que podem incorporar tais resíduos nas linhas de produção reduzindo custos. Por fim, ganha o governo, que pode desenvolver uma nova política com ganhos voltados para a sociedade.

Para auxiliar a regulamentação dessa atividade, foi constituído um grupo de trabalho dentro da Câmara Ambiental da Indústria da Construção, criada pela Cetesb e atualmente presidida pelo Sinduscon-SP. As Câmaras Ambientais da Cetesb foram estabelecidas com o objetivo de congregar várias entidades e diversos segmentos da sociedade no atendimento de demandas e na busca de soluções para o meio ambiente, aproximando órgãos ambientais, empresas privadas, universidades e ONGs.

As prefeituras das cidades de São Paulo e Guarulhos estão votando a regulamentação das ATTs. A USP e a UNICAMP estão desenvolvendo pesquisas para definir critérios de desempenho das ATTs. Portanto, este é o momento ideal para viabilizar soluções sustentáveis nas empresas do setor. A inviabilidade do novo paradigma - o paradigma da sustentabilidade na construção civil - é, na verdade, uma imagem do desconhecimento que existe no setor.

Eng. Saulo de Lara Rozendo - Consultor
CTE - Centro de Tecnologia de Edificações
saulo@cte.com.br

 

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Quinta, 29/7/2010