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Prioridade na Construção
Civil
Existem caminhos que podem aumentar a taxa de retorno
Ernani Cotrim *
O
mercado imobiliário passou por grande número
de mudanças nos últimos anos, reflexos da globalização,
aqui acelerada a partir dos anos 90. Desde então, é
grande o movimento de incorporadores e construtores nacionais
na tentativa de manter seus negócios atrativos. O achatamento
do poder de compra da população, a implacável
carga tributária sobre a atividade, a ausência
de opções de financiamento, o desemprego, a
necessidade de desenvolver produtos de maior qualidade agregada
em função da demanda melhor qualificada são,
sem dúvida, componentes importantes na estruturação
da equação custos x preços de venda.
Vários investimentos foram feitos em sistemas de
qualidade, sempre visando a padronização de
processos e a conseqüente melhoria de produtividade.
Aconteceram efetivas reduções de custo, porém,
insuficientes à manutenção das margens
do passado. Nesse cenário, o aumento da escala de produção
e a possibilidade de retorno mais rápido de capital
investido apresentam-se como alternativas de incentivo ao
negócio.
A resposta quase imediata do empresariado é buscar
reduções significativas de prazo nos sistemas
construtivos. Nem sempre se consegue trabalhar com tabelas
curtas de pagamento, considerando-se o modelo de financiamento
e as condições atuais de mercado. Porque, então,
não dedicar maior atenção ao projeto?
Um empreendimento que tenha ciclo completo (entre compra do
terreno e entrega das chaves) de 24 meses, pode melhorar sua
taxa interna de retorno na ordem de 35%, se a aprovação
do projeto for reduzida para 2 meses.
Isso é possível? Arrisco dizer que sim, se,
de um lado, conseguirmos mudar a postura do empresariado e
de seus arquitetos contratados e, de outro, contarmos com
o apoio dos órgãos públicos, em especial
das Prefeituras. A primeira parte está ao alcance dos
maiores interessados. Basta elaborar projetos com maior cuidado,
dentro dos padrões definidos na legislação
vigente. O que se observa, infelizmente, é que ainda
temos profissionais e empresários que, para segurar
lugar na fila de análise de projetos nas Prefeituras,
entregam produtos incompletos ou errados. Com isso, provocam
enorme "retrabalho" e prejudicam quem trabalha corretamente.
E mais: muitas vezes, disseminam conceito equivocado sobre
o trabalho desenvolvido pelas equipes dos municípios.
Exemplo emblemático da contribuição
a ser dada pelas Prefeituras é o Programa Plantas On-Line,
implantado pela Secretaria Municipal de Habitação
de São Paulo, em parceria com a iniciativa privada,
por meio das principais entidades de arquitetura e construção
civil. O programa, verdadeiro exemplo de modernização
administrativa, disponibiliza toda a legislação
e normas existentes no site da Prefeitura. Também estão
informatizados o sistema de análise e aprovação
das plantas das edificações. Com ele, já
é possível aprovar um projeto adequado em 15
dias úteis, algo inimaginável no passado.
Esse não é um excelente exemplo de que existem
outros caminhos?
(*) Diretor Incorporação e Construção
da Atlântica Residencial
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