Entrevista com Henrique Cambiaghi - novo presidente da ASBEA

O arquiteto Henrique Cambiaghi assumiu a presidência da AsBEA para o biênio 2002/2004, onde ocupou a posição de vice-presidente de 1992 a 2002. Nascido em São Paulo - Capital, formado em 1973 na FAUUSP e pós-graduado pela mesma escola em 1979, o perfil do novo presidente da associação traz uma grande experiência em participação como membro de comissões e conselhos ligados a diversos movimentos da arquitetura brasileira.

A sua empresa CFA Cambiaghi e Arquitetura Ltda foi fundada em 1981, com atuação principal na indústria imobiliária, tendo elaborado mais de 600 projetos, representados por mais de 300 obras entre as quais estão edifícios de apartamentos, edifícios para escritórios e centros administrativos, edifícios comerciais - hotéis e shoppings - e diversos projetos também na área pública.

1) Quais os seus principais projetos executados?
Resp.:
Em nosso portifolio temos a experiência de ter executado cerca de 600 projetos como terminais rodoviários (o "retrofit" dos terminais de São Paulo por exemplo, quando da privatização dos mesmos), escolas (Colégio Santa Marcelina), sedes de empresas (sede do Grupo Schahin, entre outros), hotéis (Uberlândia), Flats (Perdizes Tower - Gafisa), muitos Edifícios e Conjuntos residenciais (mais de 300 projetos), desde habitação popular até prédios de alto padrão, para as principais Incorporadoras e Construtoras de São Paulo.


2) Existe alguma preferência por projetar am algum lugar em especial?
Resp.:
Gosto de novos desafios e vencer dificuldades. Às vezes pode ser um projeto em um pequeno terreno, outras vezes em terrenos com muitos problemas. Programas complexos também são interessantes, o problema é que na maioria das vezes não somos recompensados financeiramente pelo resultado.


3) Por que o seu escritório optou pela busca da certificação ISO 9000?
Resp.:
Sempre procurei buscar a eficiência através da metodologia de trabalho, utilizando ferramentas que propiciam o aumento da produtividade, qualidade e agilidade dos processos existente no escritório de arquitetura (esta quase foi, aliás, meu tema de mestrado). Desta forma, foi por meio da ISO que encontrei os conceitos e a oportunidade de desenvolver e aprimorar estas questões.

4) Quais os resultados positivos que a ISO trouxe para a CFA?
Resp.:
O maior resultado foi um ganho de produtividade e eficiência nos projetos. Não consigo hoje nem pensar como era trabalhar sem esta "ferramenta", como também não consigo imaginar trabalhar sem o auxílio da tecnologia. Acredito que nem mesmo o "aparente" aumento da burocracia gera problemas, pois foi totalmente incorporado. É claro que cada auditoria gera um momento de ansiedade, como preocupação com o vestibular, mas já estamos acostumados. A nossa nova batalha é a migração para a ISO 9001, versão 2000. Com o nosso amadurecimento, esperamos uma transição tranqüila.

5) Você acaba de assumir a presidência da AsBEA.Tornar-se presidente da associação pode ser considerado como um fato natural em função da sua atuação na instituição nos últimos anos?
Resp.:
Creio que sim. Faço parte da direção da AsBEA desde 1992, isto é, há 10 anos. Acho que deu para aprender bastante com meus companheiros de Diretoria, ao longo deste período, bem como com o convívio com os representantes de diversas entidades como o IAB, SINAENCO, SINDUSCON e SECOVI. Uma das minhas crenças é de que somente a participação efetiva dos arquitetos em conjunto poderá recuperar a valorização que a nossa profissão teve ao longo dos séculos.

6) Qual o perfil das empresas que participam da ASBEA?
Resp.:
A AsBEA cresceu muito nos últimos dez anos. Só para exemplificar, em 1992 eram 44 escritórios associados, a assembléia eleitoral durou um dia e 13 escritórios estavam presentes. Na última assembléia, 60 escritórios (dos 300 incluindo as regionais). O volume de receita que é gerado pelos nossos 300 escritórios e regionais supera R$ 60 bilhões de reais.

7) O que muda na AsBEA no próximo biênio?
Resp.:
Nossa entidade vai intensificar prioritariamente a valorização dos escritórios de arquitetura. Pretendemos criar o Prêmio AsBEA, valorizando além dos resultados das questões funcionais e estéticas, os relacionados a solução de problemas .O papel dos escritórios de arquitetura para a viabilização de empreendimentos é muito importante, pois é através também do nosso trabalho que os sonhos e desejos são transformados em realidade. Pretendemos realizar também uma exposição dos principais trabalhos de nossos associados, intensificando a regionalização da Asbea e produzindo novos manuais para "catequizar" compradores e usuários dos nossos serviços. Tudo isso remete a direcionarmos conscientemente nosso verdadeiro papel na sociedade.

8) A gestão da qualidade passa a ser prioridade para a associação?
Resp.:
Por ser um lutador incansável por questões ligadas a Gestão da Qualidade, pretendo transmitir aos nossos associados quais as vantagens em se implantar Programas de Qualidade. O mercado ainda não está exigindo a certificação ISO e ainda há algum caminho a percorrer para a implantação de programas de certificação evolutiva. Por outro lado, alguns escritórios encontram certa dificuldade relacionada aos custos de implantação e manutenção. Mas como mencionei anteriormente, hoje ninguém sobrevive sem tecnologia, como por exemplo, o computador. A evolução e valorização do nosso trabalho somente serão conquistadas quando pensarmos como verdadeiros gestores empresariais, e para tanto, investimentos são imprescindíveis.

9) O que é o projeto Selo da Qualidade AsBEA?
Resp.:
A idéia do Selo AsBEA é de se implantar de forma diferenciada a certificação evolutiva, iniciando pelas questões de controle de projeto e de processo, que representam a alma de um escritório. Outra característica é a de se transformar as auditorias em avaliações, que resultarão no recebimento do Selo de Qualidade AsBEA. Somando-se a todos essas etapas, também não podemos deixar de mencionar a apresentação de sugestões de melhorias. Todo esse processo permite que o escritório caminhe por meio de níveis evolutivos, e que apesar da similaridade com os programas existentes de Sistemas de Gestão da Qualidade, serão geridos por meio de diretrizes estabelecidas pela associação. O escritório de menor porte terá ao seu alcance uma ferramenta de ajuda para melhorar controles e a produtividade.
O escritório comprovará a sua capacitação por meio da concessão do Selo AsBEA, por parte da entidade, que terá mecanismos próprios e diferenciados de aferição, por parte da própria entidade, garantindo uma sistema enxuto implantado na empresa, mas que ao mesmo tempo tenha alta eficiência e eficácia, com um custo benefício do tamanho do bolso dos participantes.

 

Quinta, 9/9/2010