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Falta de licença atrasa entrega
de usinas
Das 49 usinas termelétricas previstas inicialmente
no programa prioritário do governo, somente seis devem
finalmente sair do papel até o final do ano, gerando
1.061 megawatts de energia -quase o dobro do consumo do Distrito
Federal.
Três usinas que também deveriam ficar prontas
até dezembro sofreram atrasos, sobretudo por causa
da demora nas licenças ambientais.
Esse é o balanço do programa de geração
térmica a gás do governo, poucos dias antes
de o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso,
anunciar, em pronunciamento marcado para quinta-feira, a revisão
do programa e as termelétricas que estão viabilizadas
-ou seja, que têm licenças ambientais (mesmo
que provisórias), terrenos prontos, turbinas contratadas
ou até mesmo, em alguns casos, obras de construção
iniciadas.
Fernando Henrique Cardoso deve anunciar 17 termelétricas
no estágio de "viabilizadas", cujo término
é considerado garantido. Dessas, 13 usinas deverão
começar a operar até o final do primeiro semestre
de 2001, com 2.171 megawatts (quase um terço o consumo
do Estado do Rio de Janeiro).
Por causa de atrasos na concessão das licenças
ambientais -obrigatórias para o início das obras-,
térmicas que poderiam agregar megawatts ao sistema
atrasaram.
O caso mais grave foi a de Cubatão, na Baixada Santista
(SP). Uma liminar contrária à licença
empurrou sua inauguração para meados do próximo
ano.
Outro exemplo é a térmica de Canoas, no Rio
Grande do Sul. Nesse caso, o atraso chegou a três meses
e a usina deve começar a produzir 150 MW só
em março, em sua fase inicial.
Também tiveram problemas com as licenças as
obras de Três Lagoas e Corumbá, ambas no Mato
Grosso do Sul.
Das seis térmicas que devem começar a operar
neste ano a Petrobras está presente em três:
Fafen (Bahia), Ibirité (Minas Gerais) e Piratininga
(São Paulo). Somadas, vão acrescentar 400 MW
ao sistema elétrico, em sua primeira fase.
Outras três são da iniciativa privada. As norte-americanas
El Paso e Enron e a brasileira Cataguazes Leopoldina devem
concluir suas obras também até dezembro. São
elas: Macaé Merchant, Eletrobolt (ambas no Estado do
Rio de janeiro) e Juiz de Fora (Minas), respectivamente.
A questão do preço
Mesmo com a dificuldade em conseguir as licenças, o
principal motivo para o programa não ter deslanchado
antes foi a falta de uma definição sobre o preço
do principal insumo das usinas térmicas, o gás.
Lançado em fevereiro do ano passado, o programa prioritário
patinou até agora porque somente no mês passado
ficou acertado que a Petrobras assumiria o risco cambial do
gás importado da Bolívia.
Por iniciativa própria, a estatal financia a oscilação
do preço do gás decorrente da variação
do dólar, repassando-o para a tarifa do consumidor
ao final de 12 meses. O acerto viabilizou os investimentos
em térmicas, pois havia uma distorção:
enquanto a receita viria em reais (com a venda da energia),
os custos (com o gás) estavam em dólar.
O que já funciona
Hoje, já estão em funcionamento no Brasil três
térmicas a gás, todas lideradas por investidores
privados, mesmo sendo a Petrobras a maior investidora individual:
Uruguaiana (Rio Grande do Sul, da AES), Cuiabá (Mato
Grosso, Enron) e a recém-inaugurada William Arjona
(Mato Grosso do Sul, da Gerasul, a primeira a utilizar o gás
proveniente do gasoduto Brasil-Bolívia).
Iniciativa privada
Roberto Almeida, vice-presidente da El Paso no Brasil, disse
que a empresa buscou ao máximo antecipar sua obra de
Macaé, no Rio de Janeiro. Promete entregar em agosto
os 200 MW previstos. "Se depender da gente, não
vai atrasar."
Esse projeto difere das demais usinas, pois será voltado
para a venda da energia no mercado "spot" -no qual
os preços são regulados pela demanda e pela
oferta e são mais altos do que o dos contratos assinados
entre distribuidoras e geradoras.
Ele admite que as obras foram aceleradas para aproveitar
o bom momento para comercializar energia, já que os
preços do MAE (Mercado Atacadista de Energia) foram
fixados neste mês no limite máximo de R$ 684
por MWh. Mas afirma que a empresa também se apressou
para tentar colaborar com o esforço do governo de ampliar
a geração.
A americana Enron deve inaugurar em outubro outra usina voltada
para a comercialização de energia no mercado
atacadista. É a Eletrobolt, em Seropédica (Rio
de Janeiro), que começa a operar com o total de sua
capacidade -379 MW.
A Cataguazes Leopoldina promete entregar a primeira fase
da usina de Juiz de Fora em setembro (82 MW). Segundo o diretor
de relações com o mercado da empresa, Carlos
Aurélio Pimentel, a energia gerada servirá para
abastecer as distribuidoras do grupo em Minas Gerais e no
Nordeste.
Fonte: "Folha de São Paulo"
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