Entrevista: Eduardo Lafraia - presidente do Instituto de Engenharia

1. O IE sempre teve um papel de grande importância nos debates das grandes questões do desenvolvimento nacional. Qual o desafio da entidade hoje para recuperar a sua postura participativa junto à sociedade?

Lafraia:
Uma participação ativa nas discussões das políticas públicas. Nosso objetivo é fazer novamente do Instituo de Engenharia o grande fórum de Debates das questões que interessam a nação e a engenharia nacionais. Vamos, evidentemente, aproveitar as reconhecidas competências da área de engenharia para, nas mais diversas instâncias da entidade, Divisões Técnicas, Conselhos Deliberativo e Consultivo, e também entre os associados, empresários, entidades ligadas a engenharia, Governo e personalidades políticas, organizar um Fórum de Debates permanente, cuja falta a sociedade reclama. Com isso, sem dúvida, o Instituo reviverá os seus grandes momentos, quando encaminhava, por meio da análise e discussão, soluções concretas.

2. Dentro da realidade política e econômica brasileira, com as novas diretrizes do governo federal, que momento vive a engenharia brasileira? Como a engenharia brasileira pode ser mais colaborativa e competitiva?

Lafraia:
O atual momento exige uma tomada de consciência, não apenas do engenheiro, mas dos profissionais em geral. A crise em todos os segmentos profissionais é um reflexo da crise enfrentada pela própria sociedade brasileira. Para "consertamos" a engenharia é necessário "consertamos" o país. A nossa postura deve, além de crítica, ser participativa, ser construtiva. Por isso, venho insistindo na figura do engenheiro cidadão, ou seja, consciente da importância do seu papel no desenvolvimento da sociedade Brasileira.

3. Existe um paradigma de que no IE o espaço está garantido para os profissionais da "velha guarda". Existe alguma ação para trazer profissionais mais jovens para o IE e ampliar o debate entre diferentes gerações?

Lafraia:
Os chamados profissionais da "velha guarda" merecem respeito, até mesmo pela experiência acumulada, preciosa e sempre necessária. Eles fazem parte da história e ajudaram a construir os grandes momentos do Instituto. Isso, de maneira alguma, nos impede de dialogar com o jovem. A discussão dos grandes temas de interesse nacional vai atrair naturalmente as mais diversas gerações, pois o Engenheiro Cidadão que queremos participando ativamente do Instituto de Engenharia não tem idade. Ele pertence a todas as gerações.

4. As empresas têm exigido cada vez mais dos profissionais da engenharia uma postura de gestor de processos e de negócios, enquanto as escolas de engenharia têm formado o engenheiro com o perfil clássico do "técnico", fato que tem diminuído as chances do engenheiro no mercado de trabalho. O IE pensa em colaborar com a mudança deste profissional? Como?

Lafraia:
Algumas escolas já estão revendo seus currículos com o objetivo de oferecer uma formação mais ampla para seus estudantes. Um bom exemplo disso é o projeto POLI 2015. O Instituto de Engenharia, por sua vez, agirá como um aglutinador, oferecendo cursos que apostem na atualização contínua do profissional de engenharia.

5. O IE esteve ausente nesses últimos anos de programas como o PBQP-H - Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat. Nesses programas há uma grande preocupação com a melhoria da produtividade e qualidade, redução de custos, padronização de materiais, coordenação de projetos e desenvolvimento tecnológico. Como você vê os movimentos de melhoria da competitividade e inovação tecnológica no setor de construção?

Lafraia:
É muito importante que fique claro que o movimento de qualidade e produtividade começou no próprio Instituto de Engenharia. Foi exatamente entre 1989 e 1992, quando quase ninguém falava sobre o tema, que o, então, presidente Maçahico Tisaka, começou a discutir o assunto estimulando, assim, outras entidades e o próprio Governo a pensarem sobre a questão.
Acredito que os movimentos de qualidade e produtividade são positivos, desde que não se tornem cartórios.

6. Além da qualidade, há um aumento de exigências da sociedade brasileira em relação ao Meio Ambiente e a Responsabilidade Social das empresas. Como o IE pretende colaborar para que os profissionais de engenharia tenham um pensamento mais voltado para essas questões?

Lafraia:
Além da discussão permanente sobre os principais problemas enfrentados hoje pela sociedade brasileira, vamos estimular e investir na idéia do Engenheiro Cidadão. Um profissional integrado à sociedade e consciente de seus principais problemas e necessidades.

 

Quinta, 29/7/2010