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Habitação 1.0: arranque
depende da cooperação entre setor público
e privado
Oferecer moradia para trabalhadores que recebam até
três salários mínimos e liquidar o déficit
habitacional em um prazo de seis a oito anos. Não se
trata de um delírio, mas de uma proposta fundamentada
na parceria entre setor público e privado. Em vez do
conhecido empurra-empurra para ver de quem é a responsabilidade
pela insuficiência de moradias no País, hoje
estimada em quase 6 milhões de moradias, o programa
Habitação de Interesse Social (HIS) aposta todas
as fichas na cooperação mútua entre as
empresas do setor e governo federal, estados e municípios.
O plano de ação foi apresentado durante o 4º
Seminário da Indústria Brasileira de Construção
- Construbusiness 2001, ontem (25), na Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Técnicos do governo terão 30 dias para avaliar
se é possível conceder incentivos fiscais para
a construção de casas populares e de quanto
será o impacto da carga tributária na confecção
de uma cesta básica para assalariados de até
três salários mínimos.
Durante o evento também foi apresentado o comportamento
da cadeia produtiva, que hoje responde por 15,6% do Produto
Interno Bruto (PIB), e emprega cerca de 14 milhões
de trabalhadores, entre empregos diretos e indiretos.
No que concerne ao setor privado, explica o professor, Luciano
Coutinho, da Unicamp, a cota de contribuição
passa obrigatoriamente por avanços nos processos construtivos,
de forma a desenvolver novas tecnologias capazes de ampliar
a escala de produção a custos reduzidos. "A
contribuição das empresas será a de oferecer
moradias melhores com preços mais acessíveis",
afirma.
Resultado de um trabalho desenvolvido pela Comissão
da Indústria da Construção (CIC) da Fiesp,
sob orientação de Coutinho, a idéia é
financiar a construção de 650 mil casas/ano.
Cada residência terá cerca de 50 m2 e vai custar
algo em torno de R$ 7 mil. O investimento total é estimado
em R$ 6 bilhões por ano. Denominadas "Habitação
1.0", tais moradias encontrarão na indústria
da construção apoio necessário para que
sejam executadas em grande escala, daí a necessidade
de tecnologias alternativas.
Do lado do governo, entre outras medidas, espera-se a "ampliação
de recursos e diminuição de tributos",
destaca o coordenador. Ele defende a criação
de uma política de incentivo integrada e a redução
da incidência tributária em três fases:
desoneração da cesta básica de materiais
para construção de HIS; desconto na declaração
do I.R.P.F. de parte dos juros pagos na aquisição
da primeira moradia; redução de outras taxas
como a de administração e de aprovação.
Responsabilidade - Um dos tópicos do programa sinaliza
como é possível aumentar a eficiência
produtiva das empresas. Começando pelo quesito qualidade,
assinala a importância da adesão a programas
setoriais como o PBQP-H, que hoje detém 1150 empresas
em processo de qualificação e cuja meta é
atingir 90% de conformidade dos materiais da cesta básica
em 2002 - metas de 1999 e 2000 foram atingidas em 80%.
Conseqüentemente, promover e difundir uso de inovações
tecnológicas, em que se adotem componentes, processos
e projetos de gestão inovadores; aumentar a produtividade
da mão-de-obra com programas de capacitação;
e ampliar a normalização de projetos, processos
e produtos, em que pese o combate a não conformidade
de produtos. O documento também valoriza o projeto
em si e as etapas de gerenciamento e controle. "Projetos
devem ter objetivos de sustentabilidade e serem capazes de
integrar o entorno urbano e equipamentos sociais", diz
Coutinho.
Fonte: Portal Tecto
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