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O QUE ACONTECEU COM A INFORMÁTICA
NOS ÚLTIMOS DEZ ANOS NA ÁREA DE PROJETO.
Henrique Cambiaghi
Arquiteto Titular da Cambiaghi Ltda.
Presidente da AsBEA
Há 20 anos atrás o fax tinha sido uma revolução
incrível !!!! Passar documentos e desenhos de um local
para outro por telefone: Inacreditável! O que poderia
haver de novidade depois disso?
E ai surge menos de 10 anos depois a Internet. Daquele chiado
horrível, da lentidão nos primórdios desta
nova forma de comunicação, para as conexões
em banda larga de hoje, representa um avanço.Inacreditável.E
agora o que ocorrerá nos próximos 10 anos?
Mas o mundo da informática de softwares e hardwares avançou
de forma fantástica nestes últimos 10 anos, principalmente
na área de Projeto. Em 1993 trabalhávamos em 2D,
haviam muito poucos vídeos coloridos, os computadores
e os programas ainda eram lentos.Trabalhar em 3D era praticamente
impossível. O processo de desenvolver projetos através
de computadores avançou demais. A confiabilidade nos
desenhos, no projeto aumentou muito. Mesmo assim ainda muitos
usam o Computador e o Cad como instrumento de desenho e não
como uma ferramenta para integração e compatibilização
das diversas especialidades de projeto.
Mas se por um lado com a informática, houve uma grande
otimização nos meios de produção,
aumento na confiabilidade e qualidade dos desenhos,a forma de
verificação dos projetos, olhando de prancheta
em prancheta o que estava acontecendo, precisava ser alterada
para ser coerente com as novas ferramentas da informática.
A forma de localizar os desenhos antes guardados nas gavetas
de nossas mapotecas, ainda que às vezes bagunçada,
mas com uma certa lógica, também foi necessário
rever diante dos novos meios de produção e arquivamento.
Tivemos e temos que rever nossos ,métodos. O sistema
de produção dos desenhos e de interação
entre os diversos projetos necessitava de uma linguagem nova
de um "esperanto" para padronizar critérios
de nomenclatura de Diretórios, Arquivos e Layers e padronizar
a relacionamento entre os projetos e assim facilitar a comunicação
e o entendimento entre todos. Era necessário tornar mais
claro as responsabilidades , definindo o que e quem, pode e
deve manipular desenhos e arquivos. Desta necessidade nasceu
o Manual de Diretrizes Gerais para Intercambilidade de Projeto
em Cad, editado pela PINI, uma iniciativa da AsBEA, da qual
participamos juntamente com os arquitetos Roberto Amá,
Mirian Castanho e Marcelo Westermann.Obtivemos rapidamente o
apoio das diversas entidades do setor de projeto e construção
e seus conceitos vem sendo aplicado por diversos Orgãos
Públicos, Empreendedores, Construtoras e principalmente
os escritórios de projetos das áreas de Arquitetura
e Engenharia.
Mas outras novidades surgiram ao longo destes tempo. Os sistemas
de Gerenciamento e Armazenamento de Arquivos Eletrônicos
utilizando s critérios estabelecidos pelo Manual da AsBEA
, tornaram a tarefa de Gerenciar os arquivos de desenhos muito
mais eficiente e confiável.
Se o uso das novas nomenclaturas de Diretórios e Arquivos
evoluiu, ainda ressentimos de uma maior aplicação
dos conceitos propostos,na identificação dos layers,
nos desenhos referenciados e a utilização da troca
de arquivos só através das bases. A entrega de
folhas de desenho completa com carimbo em DWG que muitos clientes
exigem, é uma questão muito séria.Junto
com os arquivos em DWG, estão as responsabilidades de
quem é o autor do projeto e responsável pelos
desenhos.A entrega dos arquivos em DWG permite que qualquer
possa alterar os desenhos e assim as responsabilidades ficam
comprometidas.
Com a melhoria da performance dos computadores e utilização
dos programas em 3D, cada vez mais amigáveis e eficientes,
o desenvolvimento dos projetos vem se transformando num verdadeiro
processo de simulação do real. O projeto pode
ser o instrumento de uma realidade virtual, da qual podemos
analisar e aferir tanto as questões técnicas de
compatibilidade entre os projetos e entre os sistemas, como
avaliar custos e o resultado formal funcional e estético.
A Construção Civil caminha a passos largos para
se transformar numa Indústria de Montagem. Montagem dos
diversos componentes industrializados que precisam dialogar
e se entenderem entre si.Paralelamente está cada vez
mais próximo o momento que será possível
economicamente no desenvolvimento dos projetos, a utilização
mais freqüente de atributos para cada objeto, cada componente
industrializado.e assim ser possível ter instantaneamente
o custo da obra. Breve poderemos mais facilmente avaliar o impacto
das alterações de projeto e das especificações
nos custos dos empreendimentos.
Mas para isso a industria da construção civil
deverá evoluir com seus catálogos de componentes
gerando-os de forma eletrônica e interagindo diretamente
com os projetos.O primeiro passo foi dado com a iniciativa da
AsBEA em parceria com o CTE e o E-construmarket ,que conta com
o apoio de todas as entidades do setor de projeto,construção
e incorporação,que é a criação
da REDE AEC, uma rede eletrônica de Fichas Técnicas
padronizadas dos produtos industrializados, que num futuro próximo
terão seus componentes apresentados eletronicamente interagindo
com os projetistas.
Muitos de nossos empresários da construção
ainda raciocinam em custo/m² e não por sistemas.
Quando querem economizar, a primeira atitude é "enxugar
" as áreas, baixar a qualidade das especificações
dos acabamentos da construção,sem contudo ter
um domínio claro destas atitudes. Funciona como um raciocínio
empírico.No momento que for possível desenvolver
projetos "on Line" diretamente com os custos dos componentes,esta
"realidade" com certeza irá mudar.
E talvez daqui a dez anos isto não será mais inacreditável!!!! |