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Entidades definem regras para financiar
imóveis com aço
Matéria veiculada pela Agência Estado no
AE Setorial Construção Civil, serviço
de notícias especializado para o mercado imobiliário
São Paulo, 02 - Nos próximos quatro meses,
devem ser concluídos dois manuais técnicos sobre
sistemas construtivos em aço. Com eles, a Caixa Econômica
Federal (CEF) estabelecerá critérios mínimos
para financiar empreendimentos habitacionais que utilizem
esse tipo de estrutura, como normas técnicas que devem
ser observadas e demais parâmetros. O primeiro manual
será sobre construções convencionais
de aço, que usam o material em vigas e pilares, com
vedação em alvenaria de blocos. O outro tratará
do sistema de steel frame, que adota vedação
de gesso acartonado.
Os trabalhos são desenvolvidos por dois grupos (um
para cada manual), coordenados pelo Sindicato da Indústria
da Construção Civil do Estado de São
Paulo (Sinduscon-SP), com participação de técnicos
da CEF e do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS). O manual
sobre estruturas convencionais de aço deve ser concluído
em 30 dias.
Depois, o texto será analisado por especialistas.
Já os critérios sobre o steel frame demorarão
até quatro meses, já que essa tecnologia não
é totalmente conhecida no País.
"O Brasil não possui grande experiência
em construções com aço", afirmou
o vice-presidente de Tecnologia e Qualidade do Sinduscon-SP,
João de Souza Coelho Filho. Segundo o representante
da entidade, os manuais estabelecerão critérios
técnicos para qualquer padrão de projeto em
aço, desde unidades para habitação popular
até alto padrão. "Não tem cabimento
desenvolver tecnologias de construção para um
só nicho", disse.
Para Coelho Filho, embora haja uma grande carência
habitacional nas camadas populares, o aço pode ser
usado em qualquer tipo de empreendimento. As características
de cada projeto, como padrão de acabamento e dimensões,
determinarão o tipo de financiamento oferecido
pela CEF.
Vantagem
Embora reconheça que o aço pode ser aplicado
em qualquer obra, o diretor-técnico da Atlântica
Residencial, Ernani Cotrim, observa que o material é
mais vantajoso em unidades para classe média e popular,
com preços de venda entre R$ 35 mil e R$ 60 mil (apartamentos)
ou R$ 25 mil e R$ 60 mil (casas). Cotrim afirma que, devido
à restrição de crédito da CEF,
que não financia obras com estrutura de aço,
o material é mais encontrado em projetos de alto padrão,
bancados com recursos próprios dos incorporadores ou
proprietários.
A Atlântica é uma das empresas que participam
do grupo de trabalho de steel frame, para elaborar o manual
técnico. O executivo também calcula que os imóveis
em steel frame são de 15% a 20% mais baratos que similares
com estruturas convencionais de concreto. Contar com fornecedores
de aço nacionais e com boas reservas de gipsita (matéria-prima
para os painéis de gesso acartonado) são os
fatores que barateiam os custos de produção
no País, conforme Cotrim. "O sistema tem tudo
para ser mais barato", disse.
Até agora, foram realizadas duas reuniões quinzenais,
onde se discutiram o encaminhamento dos trabalhos e a divisão
das tarefas entre os participantes. Hoje, um novo encontro
está previsto, a fim de se estabelecer o cronograma
para conclusão dos manuais. Além da Atlântica,
integram o grupo de steel frame as construtoras Seqüência
e Vifran, além da Associação de Tecnologias
Integradas na Construção (Astic). A Inpar participa
do grupo de estruturas de aço convencionais. (Márcio
Juliboni)
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