Infraestrutura: obras podem se transformar a partir das estratégias de sustentabilidade

A adoção de estratégias de inovação e sustentabilidade pode gerar obras de infraestrutura mais econômicas e eficientes 

 

A retomada do investimento na infraestrutura do país sinaliza uma forte oportunidade de transformação desse setor, caracterizado ainda como de baixa produtividade, de tecnologias obsoletas, de qualidade de serviço insuficiente, além de causador de desperdícios e impactos ambientais significativos. Através da necessidade de transformação desse cenário e do movimento crescente de parcerias público-privadas, especialistas do setor enxergam a adoção de estratégias de inovação e sustentabilidade como indutora de obras de infraestrutura mais eficientes, capazes de reduzir os custos, tanto de implantação, como operacionais, concomitantemente com a melhoria da qualidade dos serviços prestados e com a minimização dos impactos ao meio ambiente.

Devido à escala e abrangência das obras de infraestrutura, seus impactos costumam ter grande repercussão e são muito visadas pela opinião pública em geral, necessitando, portanto, um compromisso com a sustentabilidade de seus promotores e gestores. Por outro lado, a mesma amplitude ocorre nas oportunidades de inovação e sustentabilidade demandadas pelo setor, que contemplam desde a economia gerada a partir de estratégias de eficiência energética, conservação hídrica e gestão de resíduos, até o desenvolvimento social e econômico da região da obra.

As obras de infraestrutura tendem, nesse sentido, a seguir o mesmo movimento das certificações ambientais vivenciado pelas novas edificações, sobretudo a partir de 2007 por empreendimentos coorporativos nos centros metropolitanos do Brasil. Ao longo desses 10 anos, tivemos a oportunidade de observar uma transformação significativa no setor da construção civil, permitida pelas novas demandas criadas no atendimento desses selos. Essa expansão das certificações ambientais resultou não apenas nos mais de 800 empreendimentos certificados LEED e AQUA por todo o Brasil, mas também na diferenciação de selos, atendendo aos mais diversos escopos, além da multiplicidade de usos e tipologias que começaram a aderir a processos de certificação, incluindo desde projetos de interiores, até edificações de grande porte ou bairros inteiros.

Os selos de infraestrutura sustentável são diferentes para cada tipo de obra. Existem, por exemplo, selos para vias e rodovias sustentáveis, como os norte-americanos Green Roads e LEED for Roads e o brasileiro Selo Verde Rodovias; a certificação Sites promovida pelo GBCI para a infraestrutura verde ou a certificação AQUA-Portos para infraestruturas portuárias, cada qual com seus requisitos próprios.

O selo Green Roads tem promovido nos Estados Unidos uma qualificação ambiental tão significativa, que já é possível constatar aumento no valor do aluguel e das propriedades adjacentes às vias certificadas. No caso da reconstrução da Bagby Street (Texas, EUA), por exemplo, houve um incremento de 276% em áreas para pedestres e 350% nas instalações para bicicletas, resultando em um aumento de 20% no aluguel de seus imóveis e 25% no valor das propriedades.

 

Bagby Street (Texas, EUA)

 

 

Outra certificação com forte potencial de aplicação no Brasil, e que vem alcançando fortes resultados ambientais, econômicos e sociais, é a Sustainable SITES, que avalia ocupações de parques, praças ou a infraestrutura externa de empreendimentos residenciais, comerciais, educacionais e institucionais. Seus pré-requisitos e créditos estão divididos em 10 categorias, que incluem o contexto do terreno, o uso dos recursos naturais, a saúde e o bem-estar dos usuários, bem como as etapas de construção e de uso e operação.

A maioria dos projetos com certificação SITES está ainda concentrada nos Estados Unidos, onde o selo foi desenvolvido, mas, dada a importância da sua abordagem e a sinergia existente com especificidades brasileiras, o CTE decidiu incorporar a certificação em sua metodologia de trabalho. Hoje o Núcleo de Urbanismo e Infraestrutura Sustentáveis aplica os conceitos do SITES em todos os projetos em andamento e, como essa certificação se restringe à avaliação da infraestrutura externa, um dos projetos de loteamento do Núcleo já iniciou o processo para obtenção do selo.

O Navy Pier de Chicago, que tem destaque pela sua importância histórica e turística, passou por um processo de requalificação, através de estratégias sustentáveis e foi o primeiro projeto a alcançar o nível Gold da certificação SITES. 

 

Navy Pier (Chigago, EUA)

 

 

Esses resultados evidenciam que a sustentabilidade não está apenas relacionada à preservação de recursos naturais ou à melhoria da imagem dos promotores do projeto, mas sim aos benefícios enormes para a sustentabilidade econômica que traz, já que as estratégias de eficiência energética, conservação hídrica e gestão de resíduos, por exemplo, podem resultar em economias significativas na fase de operação e manutenção dos empreendimentos.

Embora as Parcerias Público Privadas (PPPs) e as Concessões tenham cada vez mais participação na viabilização das obras de infraestrutura no Brasil, os editais de contratação continuam sendo formulados pelo Poder Público nos mesmo moldes anteriores, com poucos requisitos ambientais e pouco espaço para inovação. Entretanto, existe um potencial enorme para a transformação desse cenário, já que os promotores e gestores das obras de infraestrutura estão incluindo cada vez mais, em seus estudos de viabilidade e cálculos de payback, a redução dos custos operacionais aportados pelas estratégias de sustentabilidade e inovação. 

 

 

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