LEED® Atlas Office Park: sustentabilidade aliada à redução de custos

Certificação LEED e boas práticas no canteiro trouxeram ganhos ambientais e redução de custos ao empreedimento

 

O Atlas Office Park é um complexo comercial com área construída de 58.988 m², formado por 4 torres com 4 pavimentos cada e um auditório interligados por uma praça central na zona oeste da cidade de São Paulo. Durante as obras, que aconteceram entre junho de 2014 e julho de 2016, o empreendimento era conhecido apenas como Jaguaré.

Incorporado pela SDI Desenvolvimento Imobiliário e construído pela MPD Engenharia, o Atlas está localizado na região da Avenida Manuel Bandeira, uma área em desenvolvimento urbano, com fácil acesso a pontos de ônibus e a 500m da Estação Villa Lobos – Jaguaré da CPTM, e diversos serviços básicos como restaurantes, bancos, farmácias, supermercados entre outros.

Com consultoria green building do CTE, foi inicialmente traçada a meta de certificação LEED do empreendimento na categoria Core&Shell, com o objetivo de se alcançar apenas 46 pontos, o que garantia o certificado básico denominado Certified. O esforço dos envolvidos na busca por melhores soluções de projetos e obra resultou, no entanto, na obtenção de 63 pontos de 110 pontos possíveis pelo Bloco A e 65 pontos nos Blocos B, C e D, garantindo assim o nível Gold desta certificação.

Sobre as inovações em projeto baseado na certificação LEED, o empreendimento foi entregue com redução de 39% da água nos vestiários e sanitários com a adoção de bacias dual-flush de 3L e 6L, mictórios com sensores e metais sanitários economizadores, como torneiras com vazão de 1,8 litros por minuto. Houve a redução de 100% da água utilizada para o paisagismo com a implementação de um sistema de captação e aproveitamento de águas pluviais para irrigação e espécies nativas e adaptadas. No tema energia, a redução foi de 13% em relação a um baseline da certificação e as estratégias foram o uso de lâmpadas T5, medição individualizada dos sistemas e ar condicionado eficiente com condensadoras VRF.

 

Estratégias de sustentabilidade na etapa da obra

Para a etapa de obra, diversas estratégias sustentáveis foram implantadas para garantir o atendimento da certificação, como algumas detalhadas a seguir.

 

Lava rodas

Sistema fechado com uma caixa para separação de água e óleo, três caixas para realizar a decantação dos sedimentos e outras duas caixas para armazenamento e reutilização da água no mesmo processo, reduzindo assim o consumo de água para as atividades.

 

 

 

 

Lava bicas

Sistema fechado e interligado com o lava rodas, evitando assim a contaminação dos corpos hídricos pela nata do cimento.

 

 

 

 

 

 

Gestão de resíduos

Para atendimento de dois pontos da certificação, os resíduos eram segregados logo após a finalização de determinado serviço e armazenados em caçambas sinalizadas. Com essas ações, a obra obteve o percentual de 98% de desvio de aterro. 

 

 

 

 

Qualidade interna do ar

Para realizar as atividades de lixamento e tratamento do concreto no subsolo, um sistema temporário foi executado com lonas e exaustores para diminuir a dispersão da poeira gerada. 

 

 

 

 

 

“A meu ver, a certificação LEED não nos trouxe apenas ganhos ambientais no nosso canteiro de obras: trouxe organização, racionalidade quanto ao uso e manuseio dos recursos e, consequentemente, uma maior eficiência das atividades que realizamos no dia a dia através de um planejamento mais apurado. O engajamento de toda a equipe foi fundamental para termos tantas inovações e, consequentemente, conseguirmos a certificação no nível desejado. Mesmo com cobranças constantes feitas por mim e pela consultora Ana, a equipe foi bem responsável e não deixou de cumprir com o que era necessário para atingirmos o nosso objetivo. Sempre que tínhamos visitas com a consultora Ana, e algum item era pontuado para modificarmos, fazíamos uma reunião com os responsáveis para definirmos estratégias a serem tomadas e montarmos o plano de ação para executarmos o mais brevemente e enviarmos à Ana para registro e acompanhamento do trabalho, garantindo assim a melhoria contínua de nossos processos e procedimentos.” Comenta o coordenador de obras da MPD, José William Campioto Silva.  

 

Boas práticas e redução de custos

Outras estratégias de sustentabilidade foram desenvolvidas não só para atendimento da certificação, mas também como boas práticas, visando sempre a redução de custos, como, por exemplo, o britador móvel e o processo de cura do concreto.

Britador móvel. A primeira etapa do empreendimento consistia na demolição de algumas estruturas de uma antiga fábrica de concreto que existia no local. Ao final da demolição, seria necessária a aquisição de agregado natural para executar a estabilização do terreno. Desta forma, foi verificada a possibilidade da locação de um britador móvel, assim os resíduos de concreto britados poderiam ser utilizados como agregado reciclado para estabilização do terreno.  Levando em consideração os custos com o aluguel do britador e realizando um comparativo com os custos dos agregados naturais e reciclados, pode-se chegar à seguinte economia:

 

 

Além da redução de custo, pode-se citar também o ganho ambiental, pois a estimativa é que houve uma redução de 200 viagens que seriam necessárias para o fornecimento dos 7 mil m³ de agregado natural, minimizando a emissão de gases de efeito estufa para a atmosfera. Como a exploração mineral em geral é uma atividade com altos impactos ambientais, com a reciclagem dos resíduos classe A pode-se afirmar que esse impacto também foi reduzido.

 

Processo de cura do concreto. Em 2014, a cidade de São Paulo passou por um momento crítico devido à falta de chuvas, no qual a seca e a redução de oferta de água atingiram níveis preocupantes. Em meio a essa crise, os engenheiros do Atlas Office Park foram questionados pela equipe de consultoria em sustentabilidade do CTE a respeito do método que seria usado para a cura das lajes, uma vez que seria necessária uma grande quantidade de água para a cura das lajes de mais de 2 mil metros quadrados.

“Eu, como engenheira ambiental por formação e consultora de obras sustentáveis do projeto, ao ver as preocupantes notícias sobre o sistema Cantareira e a crise hídrica enfrentada pela cidade de São Paulo, pensava em uma forma de evitar que as obras que acompanhava sofressem grandes impactos com a situação que passávamos. No Atlas Office Park, a equipe envolvida estava bem engajada com as questões ambientais, e por isso propus a utilização da cura química no lugar da cura úmida para as lajes. Por ter enraizado em meus princípios que um dos pilares da sustentabilidade é também buscar estratégias que sejam economicamente viáveis, consegui aliar meus conhecimentos para provar que a utilização da cura química, além de reduzir significativamente o consumo de água do empreendimento nesse processo, reduziria o custo envolvido e, assim, se tornou a melhor alternativa para essa atividade”, explica Ana Claudia Durigon, consultora de obras sustentáveis do CTE.

Realizando um estudo comparativo entre cura química e cura úmida, e levando em consideração os custos de material e mão de obra, obtiveram-se os seguintes valores:

Financeiramente, a obra conseguiu a economia de cerca de R$ 46 mil reais com a troca do tipo de cura do concreto, além dos ganhos ambientais, pois cerca de 4.760 m³ de água deixaram de ser utilizados na obra.

 

CONHEÇA O EMPREENDIMENTO ATLAS OFFICE PARK

Fotos: Alexandre Bigliazzi

 

 

 

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Rafael Lazzarini – Gerente Comercial e de Novos Negócios da Unidade de Sustentabilidade do CTE – rafael@cte.com.br - 11 2149-0300