Um modelo para o planejamento e gestão empresarial na construção

Focar nos aspectos mais importantes para o sucesso dos seus negócios

 

Estamos em um momento interno nas empresas da cadeia produtiva da construção voltado ao planejamento estratégico e definição das metas para 2018.

Este artigo visa subsidiar os diretores e executivos das empresas para que possam conduzir este processo de planejamento e definição de metas de forma sistêmica, focando aspectos importantes para o sucesso dos seus negócios.

Depois de muito refletir sobre a natureza desse planejamento e revisitar inúmeras abordagens teóricas sobre estratégia e gestão de negócios – em especial, a teoria sobre estratégia de Porter, a metodologia do Balanced Scorecard, os conceitos de Gestão da Qualidade Total e a Filosofia Lean, entre tantas outras – estou propondo um modelo que aparentemente é simples, mas pode ajudar os líderes empresariais na construção de uma visão objetiva dos fatores que devem ser considerados no desempenho competitivo das empresas, assim como focar e orientar seus esforços para elaborar o planejamento e promover a gestão dentro das empresas.

Tenho resumido este modelo em oito vetores: Objetivos, Resultados, Produtos, Processos, Tecnologias, Parcerias, Relacionamentos e Pessoas.

Os Objetivos estão relacionados inicialmente à necessidade de definir claramente o Propósito da empresa, ou seja, explicitar para que e porque a empresa existe. Uma boa pergunta sobre o Propósito é: qual transformação queremos causar no mundo, ou que impacto queremos provocar no setor da construção, no ambiente construído e na sociedade?

Um segundo aspecto consiste na definição dos Objetivos Estratégicos da empresa, ou seja, explicitar o seu foco e os seus segmentos de atuação. Os Objetivos devem definir aonde a empresa quer chegar e quais as estratégias para percorrer este caminho.

Para definir estes Objetivos, os líderes devem conduzir esforços para analisar as tendências de mercado em suas várias dimensões, identificar as práticas dos principais concorrentes, elencar os pontos fracos e fortes e as oportunidades e ameaças para o seu negócio, visando definir claramente aonde a empresa quer chegar e como vai competir no curto, médio e longo prazo, de forma sustentável.

Os Objetivos definem a vocação da empresa e apontam para a direção a ser seguida, o que permite o alinhamento de todos para percorrer o caminho.

 

 

Os Resultados estão relacionados ao desenvolvimento sustentável dos negócios da empresa, envolvendo seu desempenho econômico, ambiental e social.

Para tal, é necessária a definição clara de metas de vendas, faturamento, despesas, rentabilidade, margem bruta e margem líquida, assim como do grau de satisfação do cliente com a qualidade dos produtos entregues e com o atendimento prestado, além das metas ambientais e sociais pertinentes aos produtos e processos da empresa.

Tais metas devem ser monitoradas por indicadores claros e mensuráveis, de forma a permitir a avaliação periódica do desempenho dos negócios, identificar os desvios e suas causas e promover ações corretivas e preventivas em tempo hábil, possibilitando uma gestão segura em direção às metas e aos resultados pretendidos.

Os Produtos consistem nas soluções que as empresas oferecem ao mercado para resolver um determinado problema de seus clientes, por meio da identificação das necessidades e das “dores” sentidas por esses clientes e da geração de novos produtos e serviços que atendam a essas necessidades e eliminem essas dores. Para tal, é fundamental que os líderes e suas equipes instalem um processo permanente de escuta do mercado e de gestão da inovação com foco em produtos, processos, marketing e vendas e novos modelos de negócios.

 

 

Os Processos definem a forma como a empresa vai conduzir as suas operações e suas atividades para atingir os Resultados e Objetivos pretendidos.

Para ter êxito neste aspecto, é preciso desenhar os processos do negócio a partir das necessidades dos clientes, criar fluxos de valor e eliminar desperdícios nas várias instâncias da organização.

A padronização é ferramenta valiosa neste sentido, pois cria a referência que permite girar o ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Action) na implementação dos processos. O treinamento dos colaboradores para a operação, a análise permanente dos resultados dos processos, a identificação de desvios e de suas causas raiz, e a forte atuação sobre estas causas, permitem um processo de melhoria contínua que aumenta a produtividade, melhora a qualidade e reduz os custos. Nesse sentido, tenho ressaltado que a implementação prática e cotidiana do PDCA em todos os processos empresariais, com ênfase especial nas etapas do Check e do Action, se constitui em um poderoso instrumento de planejamento e controle do negócio e dos processos da empresa, enraizando a cultura gerencial na organização.

A implantação de Tecnologias inovadoras, em especial a adoção das Tecnologias Digitais, se constitui em um fator extremamente relevante visando a exponenciação e a escalabilidade dos negócios empresariais.

O mapeamento das tecnologias disponíveis no Brasil e no mundo, além do estudo e a incorporação dessas tecnologias nos processos e produtos empresariais, são fundamentais para a redução de custos e otimização dos processos, e devem fazer parte da tomada de decisões sobre a gestão corporativa da organização.

As Parcerias consistem também em um importante fator competitivo, pois permitem incorporar expertises que estão fora do Core Business da empresa, gerando soluções integradas que agregam valor aos clientes, sem aumento dos custos diretos, além de muitas vezes permitirem a ampliação das vendas pela ação dos parceiros.

Outro fator relevante para atuação dos líderes empresariais consiste na criação e gestão ativa das Redes de Relacionamento com empresas e profissionais do mercado, de forma a compartilhar informações, participar de eventos técnicos e sociais, assim como divulgar os produtos e serviços da empresa e gerar novos negócios.

As Pessoas dão vida e conformam a empresa em todos os seus níveis, da alta administração ao nível operacional, e constituem a alma dos processos e da organização.

A gestão do conhecimento dos colaboradores é instrumento essencial para criação de vantagens competitivas, é feita pela identificação das diferenças entre as competências reais dos colaboradores em relação às competências necessárias para o exercício de suas funções e da adoção de um programa contínuo de desenvolvimento e capacitação desses colaboradores para eliminar tais diferenças.

Um segundo aspecto relevante é o desenvolvimento da capacidade dos colaboradores em resolver problemas, identificar suas causas e promover ações corretivas, sempre de forma compartilhada com a equipe.

Os líderes têm papel fundamental no desenvolvimento deste aprendizado coletivo, pois sua função mais importante é ensinar e criar novos líderes. A adoção desta atitude e deste comportamento por parte dos líderes constrói uma organização que aprende. Esta postura dos líderes de cumplicidade e de espírito de compartilhamento permite a construção de um ambiente saudável, com pessoas motivadas, comprometidas e, sobretudo, felizes. E, logicamente, mais produtivas e alinhadas com o Propósito, os Objetivos e os Resultados da organização.