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Encontro de Construtoras e Fornecedores de Materiais e Sistemas Construtivos
Evento | 26.10.2009


O “Encontro de Construtoras e Fornecedores de Materiais e Sistemas Construtivos”, realizado pelo CTE no dia 26 de outubro de 2009, reuniu 255 profissionais (110 de incorporadoras e construtoras, 108 de fornecedores de materiais e serviços, 16 de empresas de projeto e consultoria, 17 de entidades de classe, universidades e institutos de pesquisa, e 4 de fundos de investimento e agentes financeiros), representando 30 cidades e 9 Estados (AL, ES, GO, MG, RJ, RO, RS, SC, SP).

Na abertura, Roberto de Souza, Diretor Presidente do CTE, comentou sobre as novas necessidades do mercado, principalmente no que se referem aos materiais, equipamentos e sistemas construtivos, por conta da demanda do Programa Minha Casa Minha Vida e da retomada do setor imobiliário nos demais segmentos. Por isso, o Encontro torna-se significativo neste momento, pois propicia um ambiente de discussão sobre as necessidades do mercado quanto à inovação tecnológica e os diferentes sistemas construtivos para habitação econômica, de forma que seu desenvolvimento contribua efetivamente com a industrialização, a redução de prazos e custos, a garantia da qualidade, o atendimento às normas de desempenho, o aumento da produtividade, a qualificação de pessoal e a sustentabilidade.
 

 
O Encontro teve a participação de 255 profissionais das mais diversas empresas e instituições, representando nove Estados brasileiros


Essas são as principais conclusões do Encontro:

1. Hoje, o mercado imobiliário brasileiro, após um curto período de crise, retoma seu ciclo de crescimento e novamente dinamiza a economia do País. Para os próximos anos, o segmento de habitação de interesse social será um dos principais focos do mercado, devido tanto à queda da taxa de juros e ao aumento dos recursos para o crédito imobiliário como o lançamento do Programa Minha Casa Minha Vida pelo governo federal, que pretende viabilizar o acesso a um milhão de moradias para famílias com renda de até 10 salários mínimos. O setor da construção civil, portanto, continuará a ser um grande gerador de empregos e enfrentará novos desafios para a viabilização de empreendimentos em segmentos diferenciados.

2. Se por um lado, nos últimos anos, o setor se modernizou (incorporando a tecnologia da informação, o compartilhamento de informações e a gestão integrada, assim como evoluindo em Programas de Qualidade e Produtividade e vontade sustentável) e alcançou certa maturidade empresarial, por outro lado ainda enfrenta problemas por ser um setor fragmentado, com alto grau de complexidade pelas suas inúmeras e diferenciadas atividades, regido por códigos de obras conflitantes, normas brasileiras antiquadas e ainda muita informalidade (estimada em 50%). Para alcançar um novo patamar de crescimento sustentado, em todos os níveis, e ainda atender às novas exigências do mercado, as empresas devem pensar na gestão e capacitação de pessoas, no planejamento de insumos, na redefinição de funções corporativas, na redução da informalidade, na informação precisa para decisões assertivas, em coordenação modular integrada, em uma nova visão do empreiteiro, em um construtor corresponsável, na criação de Indicadores Empresariais Integrados, pois é fundamental hoje se projetar o custo, avaliar o desempenho ao longo do tempo de um elemento, instalação ou sistema construtivo, considerar a sustentabilidade, avaliando todos os procedimentos corretamente e com responsabilidade.


 
Do primeiro painel, participaram Alexandre Mariutti (Diretor da Construtora Sequencia), André Aranha Campos (Diretor da INMAX), Claudio Mitidieri (Pesquisador do IPT, responsável pelo Laboratório de Componentes e Sistemas Construtivos), Antonio Pregeli Neto (Gerente Executivo da DOMUS POPULI/Brasitherm) e Roberto de Souza (Diretor Presidente do CTE)


3. Com relação à indústria de materiais, novos desafios e exigências também surgem diante destas novas demandas e transformação do mercado, principalmente com relação ao atendimento das necessidades das construtoras. A indústria deve hoje pensar em: buscar uma visão de sistema (não apenas de insumo) e a real dimensão do mercado, planejar o cumprimento de prazos, praticar a sustentabilidade e qualidade, acreditar na gestão de recursos humanos, praticar e divulgar o PLR, fabricar e ensinar a usar, ter uma política de preços clara, confiar e investir na escala, combater a informalidade, respeitar as normas técnicas brasileiras.

4. Esta atual conjuntura econômica e do mercado imobiliário sinaliza, portanto, que a industrialização da construção será um elemento estratégico para os negócios de toda sua cadeia produtiva, pois ela minimiza o risco dos investimentos, propicia o aumento da produtividade e o controle dos custos, dos prazos e da qualidade, contribuindo para a viabilização dos empreendimentos e o retorno do capital investido. Como o Brasil tem um vasto repertório de componentes e sistemas industrializados, as empresas construtoras devem conhecer e fazer uso desse repertório, desenvolvendo uma industrialização aberta e adequada à nossa realidade. Várias tecnologias industrializadas podem ser utilizadas e articuladas de diferentes formas, inclusive com sistemas mistos que façam uso de diferentes soluções e materiais. Por outro lado, para atender a esta demanda, há necessidade também do desenvolvimento e proposição de novos sistemas construtivos, visando à inovação tecnológica, produtos inovadores, alto desempenho e produção em escala.


 
Marcelo Bergamaschi (Diretor Comercial da Jet Casa), Rodrigo Piernas Andolfato (Diretor Geral da Tecnobens), Eduardo Togashi (Gerente Comercial da Metroform System), Claudio Possenti (Gerente da SH Formas Andaimes e Escoramentos – São Paulo), Marcelo Moacyr (Diretor da Bairro Novo Empreendimentos Imobiliários) e Roberto de Souza (CTE) debateram no segundo painel


5. É bom destacar que inovação tecnológica significa a introdução de novidade ou aperfeiçoamento no ambiente produtivo ou social que resulte em novos produtos, processos, sistemas ou serviços. Já produtos inovadores são materiais, componentes, subssistemas ou sistemas construtivos para os quais não há normalização prescritiva. Alto desempenho significa prever o comportamento potencial do elemento ou sistema ao longo de um determinado tempo (vida útil), considerando exigências do usuário (segurança, habitabilidade, sustentabilidade, economia) e condições de exposição ou ações.

6. Os sistemas construtivos industrializados devem ser avaliados não só tecnicamente, mas de acordo com seus diferenciais, sua contribuição em relação aos aspectos de redução de prazos e custos, garantia da qualidade, atendimento às normas de desempenho, aumento da produtividade, qualificação de pessoal e sustentabilidade.

7. Sobre os sistemas construtivos para habitação econômica, é fundamental a definição do Sistema de Gestão e Controle da Qualidade na fabricação e construção das unidades de forma a garantir a qualidade dos produtos gerados, evitando-se desperdícios, retrabalhos e futuras patologias construtivas. Outro aspecto relevante é o atendimento do produto final gerado pelo sistema construtivo à norma de desempenho NBR 15.575 quanto aos aspectos de segurança, habitabilidade, durabilidade. Para tanto é necessário que haja evidências objetivas de que o sistema construtivo atende aos critérios de desempenho e que seja aprovado pelo SINAT – Sistema Nacional de Avaliações Técnicas.

8. O SINAT - Sistema Nacional de Avaliações Técnicas (criado pela Portaria nº 345, de 03/08/2007) é um sistema para avaliação e concessão de DAT (Documento de Avaliação Técnica) para produtos e sistemas construtivos inovadores, que serve de instrumento para produtores e agentes financeiros (CAIXA, Programa Minha Casa Minha Vida). Inserido no PBQQ-H, seu principal objetivo é harmonizar procedimentos para a avaliação de novos produtos para a construção, quando não existem normas técnicas prescritivas específicas aplicáveis ao produto. A harmonização de procedimentos é necessária para assegurar que todos os aspectos relevantes ao comportamento em uso de um produto de construção sejam considerados no processo de avaliação. Também é necessária a harmonização de procedimentos para que haja uma convergência de resultados da avaliação de um mesmo produto, quando submetido a processos de avaliação por instituições avaliadoras distintas, ou por uma única instituição avaliadora em tempos diferentes. Assim, o SINAT promove o estímulo à inovação tecnológica, aumentando o leque de alternativas tecnológicas disponíveis para a produção habitacional, sem aumentar, todavia, o risco de insucesso no processo de inovação. Em resumo, busca-se aumentar a competitividade do setor produtivo.

9. Embora exista hoje uma série de sistemas de avaliação, exigidos por diferentes órgãos e instituições em diferentes regiões, a tendência é que o SINAT substitua as outras instâncias de avaliação, aprovação e homologação de sistemas, e passe a ser a única instância para a avaliação e concessão. Este Encontro, portanto, recomenda uma aproximação entre a CAIXA, CDHU, SINAT, Instituto Falcão Bauer, IPT e instâncias de avaliação afins, de forma que se estabeleça um norte para o setor da construção com relação à avaliação e homologação dos sistemas, que hoje não sabe a que instância recorrer ou qual é a prioritária ou superior no momento.
 


Maurício Linn Bianchi (Vice-presidente da BKO Engenharia e do Sinduscon-SP e Conselheiro do Secovi), Marcus Vinicius Cordeiro de Menezes (Gerente Nacional de Vendas da DURATEX – Divisão Deca), Marson T. Iizuka (Gerente de Desenvolvimento de Novos Produtos da YKK do Brasil), Ariovaldo José Torelli (Diretor Industrial e Comercial da VIAPOL), José Humberto Souza (Gerente de Assistência Técnica da Sherwin Williams) e Roberto de Souza (CTE) foram os participantes do terceiro painel


10. Finalmente, o sistema construtivo deve ser avaliado em relação ao seu compromisso com a sustentabilidade nas três dimensões: econômica, ambiental e social. A sustentabilidade na construção é hoje uma prioridade mundial, objeto de preocupação, pesquisa e ação de vários países, e o Brasil, inclusive, vem ocupando uma posição destacada entre os países emergentes. As agendas sustentáveis para a construção contemplam diretrizes, projetos e novas tecnologias focadas na eficiência energética, redução de emissões, economia e uso racional da água, utilização de materiais locais e renováveis, qualidade e conforto ambiental, térmico e sonoro, qualidade do ar interno, minimização de resíduos, gestão do lixo e educação ambiental. Meu produto é sustentável?

11. Diante de todos esses atuais desafios, exigências e necessidades, foram apresentados vários sistemas construtivos no Encontro, de forma que cada um pudesse esclarecer e relatar sua contribuição para a redução de prazos e custos, garantia da qualidade, atendimento à norma de desempenho e compromisso com a sustentabilidade. Os sistemas apresentados e debatidos pelos participantes nos painéis foram: sistema em steel framing para habitação popular (pela Construtora Sequencia); sistema de pré-moldados de concreto moldados em obra (pela Inmax); sistema de montagem de painéis pré-fabricados de concreto (pela Brasitherm); sistema de paredes pré-moldadas de cerâmica e concreto em canteiros de obras (pela Jet Casa); sistemas em alvenaria estrutural (pela Tecnobens); sistemas de formas de aço para paredes de concreto (pela SH Formas); sistema construtivo de paredes de concreto com formas de alumínio (pela Bairro Novo); sistema de formas de plástico para paredes de concreto (pela Metroform System).

12. Quanto ao desenvolvimento de materiais e equipamentos, que exigem investimentos em desenvolvimento e tecnologias avançadas, novos designs, logística apropriada para atender às demandas e consideram a sustentabilidade, foram apresentadas as contribuições dos seguintes materiais e componentes para o segmento das construtoras, também debatidos nos painéis: componentes hidráulicos (pela Duratex, divisão Deca), esquadrias (pela YKK do Brasil), sistemas de impermeabilização (pela Viapol) e pinturas (pela Sherwin Williams).



Do quarto painel, participaram Claudia Alabarce (Gerente Geral de Ar Condicionado da LG Eletronics), Ana Carolina de Vitto Granado (Promotora Técnica do CEBRACE), Sergio Luiz Martins Cardoso (Gerente Nacional de Modernização da ThyssenKrupp Elevadores) e Roberto de Souza (CTE)


13. Quanto à contribuição de materiais e equipamentos para a sustentabilidade na construção, foram apresentados e debatidos também nos painéis: sistemas de transporte vertical (pela ThyssenKrupp Elevadores), sistemas e equipamentos de ar condicionado (pela LG Eletronics) e vidros (pelo Cebrace).

14. As oportunidades e os desafios para a cadeia produtiva da construção estão anunciados e presentes, principalmente no que se refere ao mercado de habitação de interesse social. É necessário que haja agora vontade para articular e investir em todo este conjunto de diretrizes, tecnologias e práticas apresentadas, de forma que o setor se oriente para o desenvolvimento de projetos e empreendimentos, a indústria de materiais e sistemas construtivos se oriente para o desenvolvimento de materiais e sistemas em escala, e todos incluam, além da dimensão financeira, as dimensões tecnológicas, ambientais e sociais, para que atendam com qualidade e dignidade aos diferentes segmentos, principalmente à população de baixa renda.


 
Momentos do coffee break, em que os participantes tiveram a oportunidade de trocar experiências e também impressões sobre as 17 palestras realizadas no Encontro





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