O ‘VII Encontro de Diretores e Gestores da Construção: caminhos para o futuro’, realizado pelo CTE no dia 6 de dezembro, reuniu 264 profissionais (134 de incorporadoras e construtoras, 59 de fornecedores de materiais e imobiliárias, 43 de empresas de projeto e consultoria, 7 de entidades de classe, universidade e órgãos governamentais, 15 de fundos de investimento e agentes financeiros e 6 de imprensa), representando 10 Estados (CE, DF, ES, GO, MG, PB, PR, RJ, RN, SC e SP) e 32 cidades brasileiras.
Na abertura, Roberto de Souza, Diretor Presidente do CTE, destacou que o Brasil tem condições de sustentar um crescimento estável nos próximos dez anos e o setor da construção tem também plenas condições de continuar crescendo, e até em um ritmo mais intenso que o da economia brasileira nos próximos anos, sustentado pela expansão do crédito imobiliário, além de importantes motores que moverão a construção civil nos próximos anos: a Copa do Mundo de 2014, as Olimpíadas de 2016 e a demanda por habitação. Para ser capaz de atender às novas demandas do país, no entanto, a construção civil precisa buscar novas maneiras de pensar, construir e gerir seus negócios, sendo fundamental inserir em sua agenda temas como industrialização, inovação, desempenho e sustentabilidade. Por isso a importância deste evento, já tradicional e promovido anualmente pelo CTE, que traz a visão, as análises, tendências e estratégias dos gestores das empresas líderes do mercado para o futuro próximo.
PRINCIPAIS REFLEXÕES DO ENCONTRO

Fernando Correa (Diretor da Sinco Engenharia), José Paulo Silveira (Diretor da Macroplan) e Roberto de Souza (Diretor Presidente do CTE) discutiram, no primeiro painel, a inovação como elemento de diferenciação competitiva na construção
Inovação: propulsora do desenvolvimento e da competitividade
Segundo pesquisa apresentada, apenas 1,7% das empresas inovam e diferenciam produtos, dado que, para José Paulo Silveira (Diretor da Macroplan), indica ser necessário adotar nas empresas um processo inovador e estratégico, que vá da ideia ao produto no mercado. É importante que haja uma predisposição para a gestão da inovação nas empresas, que envolve um esforço combinado de desenvolvimento interno e externo para propiciar condições favoráveis para o desenvolvimento de novos produtos, projetos, processos, materiais, sistemas e soluções tecnológicas criativas e inovadoras. Entre os pilares para esta gestão de inovação, estão a geração de ideias inovadoras (cuja principal fonte são colaboradores, parceiros e clientes), parcerias de resultados mútuos (abrindo e interligando o processo de inovação), criação de redes de valor (espaços da inovação e obtenção e recursos), apropriação de valor para novos modelos de negócios e identificação de talentos.
Na construção civil, um dos pontos considerados mais importantes em termos de inovação é a tecnologia, a busca de novos produtos e sistemas que possam contribuir para a redução de etapas e prazos de obra, tornando o processo de construir mais eficiente e mais competitivo. Neste sentido, o setor da construção brasileira vem discutindo as melhores formas e os maiores desafios para a adoção do BIM (Building Information Modeling), uma ferramenta de compartilhamento de informações e representação digital do ambiente físico e funcional do empreendimento (do projeto à construção e operação do edifício), que possibilita ao máximo a modelagem. A nova tecnologia traz inúmeras vantagens e essencialmente implica em uma mudança de cultura, integração e grande investimento em conhecimento e padronização.
Para Fernando Correa (Diretor da Sinco Engenharia), que apresentou o processo de implantação do BIM na empresa, os maiores desafios a serem vencidos na adoção desta nova tecnologia pela construção são: o desenvolvimento de normas técnicas (uma classificação normalizada possibilitará a adesão nacional); a capacitação profissional (para formação de mão de obra técnica em todos os níveis de abrangência do BIM); a reestruturação dos cursos de Engenharia e Arquitetura e a criação de disciplinas específicas de modelagem nas Universidades; a aquisição de conhecimento da tecnologia por parte das empresas para poder contratar o BIM; o envolvimento da própria cadeia produtiva neste novo processo e mudança de cultura; e ter o Estado também como indutor da nova tecnologia.

Luiz Henrique Ceotto (Diretor de Projeto e Construção da Tishman Speyer), Marcelo Zarzur (Diretor Técnico de Engenharia da EZTEC), Luis Paulo Loreti (Diretor da Matec) e Roberto de Souza debateram, no segundo painel, os caminhos para o desenvolvimento da engenharia, planejamento e gestão de obras
Desenvolvimento tecnológico: suporte estratégico para as empresas e o setor
Para Luiz Henrique Ceotto (Diretor da Tishman Speyer), a construção vive o melhor momento de mercado de sua história, mas não está correspondendo com os seus melhores resultados. Longe disso, temos visto falta de mão de obra e de qualificação, estouro nos custos e prazos de obras, qualidade das obras em declínio, excesso de burocracia na aprovação de projetos e licenças, prejuízos e desvalorização das ações do setor na bolsa, e ainda problemas com clientes e com o Ministério Público, fatores que denigrem, e muito, a imagem do setor. Além disso, algumas posturas adotadas pelas empresas retardam e até impedem o desenvolvimento da construção: as empresas não consideram seu desenvolvimento tecnológico como algo realmente importante para seu sucesso; utilizam processos construtivos artesanais e de baixa produtividade, com uso intensivo de mão de obra; têm visão não sistêmica, imediatista e conservadora, além de preconceitos tecnológicos; utilizam sistemas de gestão ainda rudimentares e baseados na experiência pessoal; evidenciam baixo nível de comunicação e de entendimento nos diversos elos da cadeia produtiva. Segundo Ceotto, as empresas deram passos maiores que as pernas diante das grandes oportunidades do mercado, e perderam seu ‘ticket de entrada’ no setor da economia, que implica conhecimento básico de seus próprios recursos, e em todos os níveis, para dar conta das tarefas.
Nesta vertente, Marcelo Zarzur (Diretor da EZTEC), comentou os fatores de sucesso da empresa, pertencente ao grupo das companhias da construção que abriram seu capital: a empresa pensou em um crescimento organizado, investiu fortemente na engenharia e na gestão dos processos, principalmente no planejamento, projeto, orçamento e controle da produção. O resultado final: obras entregues com qualidade, no prazo e dentro dos custos.
Luis Paulo Loreti (Diretor da Matec) compartilhou da constatação do fraco desempenho tecnológico e inovador da construção em momento de pujança econômica e apontou para desafios que precisam ser superados com inteligência e estratégias: desenvolvimento tecnológico, capacitação profissional, educação e mudança mental para absorver um novo conceito de ‘construir’.
Todos foram unânimes de que é importante dar um salto no desenvolvimento do setor, promover lideranças fortes e uma agenda setorial para a construção, a ‘agenda do bem’, com foco no desenvolvimento tecnológico, na inovação e industrialização.

Eduardo Frare (Diretor de Construção e Engenharia da OR Realizações Imobiliárias), Ana Maria Castelo (Coordenadora de Projetos da FGV Consultoria), Alexandre Amado Britez (Gerente de Desenvolvimento Tecnológico da Cyrela) e Roberto de Souza abordaram, no terceiro painel, a sustentabilidade do setor, das empresas e dos empreendimentos
Sustentabilidade em diferentes ângulos no setor
Ana Maria Castelo (Coordenadora da FGV Consultoria) sinalizou para um crescimento econômico e desenvolvimento sustentável da construção, principalmente se o setor conseguir dar conta dos gargalos relacionados à produtividade. Em 2012 o crescimento mundial fraco dificultou um crescimento interno mais forte e contribuiu para a redução do investimento no país. No entanto, em 2013, a taxa de câmbio deve seguir controlada e está estimado um crescimento do PIB brasileiro entre 3% a 4%. O setor da construção também cresceu em um ritmo menor em 2012, com o PIB em torno 4%, mas obteve alguns estímulos e resultados que poderão dar suporte ao futuro, como: lançamento do Programa de Investimentos em Logística, desonerações das PPPs, reajuste dos valores do Programa Minha Casa Minha Vida, mais facilidade de contratação de mão de obra qualificada, vendas mantidas em patamares próximos a 2011, entre outros. Os desafios do setor para 2013 estarão centrados nos investimentos em infraestrutura, no desenvolvimento de novas fontes de financiamento para habitação e infraestrutura, na industrialização dos processos construtivos, no avanço sustentável com ocupação adequada do solo e no aumento da produtividade.
Eduardo Frare (Diretor da OR Realizações Imobiliárias) apresentou o projeto Parque da Cidade, o maior empreendimento da cidade de São Paulo em área construída, com 595 mil m², cinco torres corporativas, um prédio comercial e dois residenciais, shopping e hotel, além de espaço de lazer com restaurantes, bares, ciclovia e pista de cooper, com previsão de absorver cerca de 65 mil pessoas quando estiver pronto. O megaempreendimento acompanha a tendência mundial do uso múltiplo em um mesmo terreno, tendo como base do projeto o conceito de cidade compacta e sustentável, com o objetivo de ofertar trabalho, lazer e moradia em um mesmo endereço. Usando as melhores práticas e padrões de diversas instituições para promover o plano de sustentabilidade, o empreendimento buscará a certificação LEED CS (projetos da envoltória e parte central do edifício) e LEED NC (novas construções e grandes projetos de renovação).
Alexandre Amado Britez (Gerente da Cyrela) demonstrou uma nova ferramenta para avaliação socioambiental de fornecedores, tendo em vista os impactos causados na imagem das empresas da construção nos últimos tempos devido à exposição de problemas de seus terceirizados. A necessidade de identificar riscos potenciais que possam impactar na imagem da empresa foi a principal motivação para a avaliação socioambiental de fornecedores, que fornece dados importantes sobre questões jurídicas e trabalhistas, documentações de fornecedores, capacidade de atendimento a serviços de empreiteiros, equipamentos específicos para atividades, de modo que seja possível controlar os riscos sobre terceirização de serviços especializados e contratação de outros tipos de serviços. A ferramenta, integrada com o Sistema de Gestão da Qualidade, pode, inclusive, auxiliar os fornecedores a melhorarem seu desempenho e serviços, inclusive com retroalimentação dos resultados.

Paulo Sérgio F. de Oliveira (Diretor de Engenharia da JHSF), André Glogowsky (Presidente do Conselho de Administração da Hochtief do Brasil) e Roberto de Souza trataram, no quarto e último painel, da industrialização da construção
Os desafios para a industrialização na construção
Paulo Sérgio F. de Oliveira (Diretor de Engenharia da JHSF), a partir de sua apresentação sobre Engenharia Avançada com foco na Industrialização, chamou atenção para a importância de um modelo novo de ‘negócio’, que leva para os produtos, lançamentos e novas oportunidades o conceito de industrialização. Com esta visão, a empresa deve identificar oportunidades do mercado, aumentar sua participação no início do ciclo de vida, alinhar seu objetivo ao guidances de mercado, mudar de paradigmas (prazos, custos por etapa de obra e projeto, índices, etc.), utilizar o BIM (definição de produto, logística, soluções de projeto, quantitativos, etc.), alinhar seus objetivos aos de fornecedores e envolver-se na cadeia de valor.
André Glogowsky (Presidente do Conselho de Administração da Hochtief do Brasil) pontuou a industrialização como um meio de obter objetivos e ganhos na produção em maior quantidade, a um custo menor, em tempo menor e de forma sustentável. Para Glogowsky, os desafios para industrialização no setor estão focados no caráter artesanal dos canteiros de obra; na escassez de mão de obra; na capacitação de engenheiros, técnicos e arquitetos; no gerenciamento e na organização da cadeia de fornecedores; no planejamento, organização e gestão da produção; em alta produtividade com custos e qualidade otimizados; na preparação e no gerenciamento de novas tecnologias. E, para acontecer a industrialização, o uso de sistemas integrados, as novas tecnologias (BIM), a capacitação da Engenharia (desde a universidade), o planejamento e racionalização, o uso de mais equipamentos e menos mão de obra, e o sincronismo entre indústria, fornecedor e logística serão fatores fundamentais a serem equalizados.

Durante o almoço e coffee break, os participantes do evento puderam trocar ideias, impressões e informações

Responsabilidade ambiental CTE
O CTE providenciou a Neutralização da Emissão de Gases de Efeito Estufa desse evento. Os cálculos foram feitos pelo INSTITUTO TOTUM e o plantio das árvores será efetuado pela SOS Mata Atlântica, que provê o plantio e o desenvolvimento seguro da árvore, efetivando a real compensação das emissões, por acompanhamento e registros periódicos até os cinco anos de desenvolvimento.
Total de emissões deste evento (tCO2e) = 13,008
Número de árvores necessário à neutralização = 53