O setor da construção está experimentando uma sensação de alívio em relação à crise deflagrada no segundo semestre de 2008. O ritmo das vendas e de lançamentos de novos empreendimentos começa a dar indícios de forte retomada. Tal felicidade, no entanto, vem rodeada pelas mesmas preocupações da época em que ocorreu o chamado “boom imobiliário”: possibilidade de falta de materiais e componentes, de falta de disponibilidade de mão de obra operacional, de aumento de custos de materiais e de mão de obra em função do aumento das demandas, de falta de equipe de engenharia capacitada para a gestão das obras e necessidade de aumento do quadro de colaboradores.
Na tentativa de se antecipar aos possíveis danos com a concretização de tal quadro, muitas companhias procuram alternativas tecnológicas com foco na racionalização e industrialização, tais como: alvenaria estrutural; paredes de concreto com a utilização de formas de alumínio, de plástico ou de aço; painéis pré-moldados em concreto armado maciço ou nervurado; painéis pré-moldados de blocos cerâmicos; peças pré-moldadas em concreto armado; steel framing com vedações em placas cimentícias, OSB ou gesso.
Certamente, tais alternativas incorporam conceitos de racionalização e/ou industrialização. Mas, com toda essa diversidade, como eleger a melhor solução? É preciso analisar e realizar algumas etapas fundamentais antes de tomar qualquer decisão, quais sejam:
1) Definir os resultados esperados com a implantação da nova tecnologia, tais como:
| • | Redução do prazo de entrega e/ou de ciclos de produção de serviços específicos |
| • | Redução do número de operários |
| • | Redução de resíduos, desperdícios, reparos ou retrabalhos |
| • | Melhoria no conforto térmico e/ou acústico |
| • | Redução de patologias em uso |
| • | Redução de custos |
2) Definir em quais linhas de produto a tecnologia terá que ser aplicada, como, por exemplo:
| • | Unidade térrea |
| • | Unidade assobradada |
| • | Edifícios de até quatro pavimentos sem elevador |
| • | Edifícios de até 10 pavimentos |
| • | Edifícios altos |
3) Definir a localização de uso da tecnologia ou região de atuação.
Tais informações definirão as premissas e devem estar muito claras para a elaboração da análise, como apresentado no diagrama a seguir.
Ao analisar o fluxo de execução e rede de relacionamento das etapas, é possível verificar a capacidade de redução dos tempos de cada ciclo e seu impacto ao final da execução. Entender a possibilidade de eliminação de etapas em relação ao processo convencional alerta para a redução do número de atividades no caminho crítico a serem gerenciadas.
Os processos de execução e suas especificidades devem ser entendidos completamente, assim como as necessidades de uso de equipamentos especiais para produção, medição ou proteção (individual ou coletiva).
O conhecimento das necessidades de competência inerentes ao sistema construtivo permite avaliar se haverá possibilidade de alteração de sua estrutura ou seu quadro funcional, em função de alguma necessidade de especialização. A facilidade de treinamento de mão de obra deve ser considerada para a eleição do sistema, uma vez que pode influenciar diretamente na qualidade e na garantia dos índices de produtividade previstos.
A percepção do funcionamento e regras da cadeia de suprimento específico para a nova tecnologia, incluindo as dependências em relação a fornecedores críticos (por exemplo, concreteiras) é fundamental para criar condições de contorno necessárias para a garantia do abastecimento no desenvolvimento da obra. Esta ponderação deve incluir a disponibilidade local dos componentes e equipamentos críticos assim com as necessidades específicas para abastecimento das produções.
A flexibilidade do sistema para adaptação dos projetos demonstra que será possível garantir a sua utilização mesmo com mudanças de demandas mercadológicas ou de nichos de atuação. É importante conhecer as necessidades específicas a serem consideradas nas fases de projeto para que não sejam tomadas decisões erradas em qualquer etapa do processo. Da mesma forma, as restrições e limites de utilização devem estar claros e transformados em diretrizes de projeto.
O desempenho do sistema construtivo deve ser analisado com base nos critérios estabelecidos na NBR 15.575:2008 – Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos - Desempenho, que estabelece requisitos relacionados a:
| • | Desempenho estrutural |
| • | Segurança contra incêndio |
| • | Segurança no uso e operação |
| • | Estanqueidade |
| • | Desempenho térmico, acústico e lumínico |
| • | Durabilidade e manutenibilidade |
| • | Conforto tátil e antropodinâmico |
| • | Adequação ambiental |
Esta mesma norma técnica fortalece o conceito de VUP – Vida Útil de Projeto, que deve ser estabelecida conforme cada sistema estudado, na medida em que as empresas construtoras deverão atender às idades previstas na norma.
Qualquer sistema construtivo deve estar resolvido em todas as suas interfaces. Assim, atentar para a adequação de todos os componentes e instalações com as vedações e estrutura é condição para a eleição da solução tecnológica.
Um breve levantamento dos impactos ambientais positivos ou negativos auxilia na seleção da tecnologia na medida em que pode ser um indutor de geração ou redução de poluição ou resíduos.
A facilidade de manutenção é um ponto forte, pois evita patologias na fase de uso e operação da edificação.
Os aspectos comentados anteriormente devem ser analisados visando à gestão dos riscos relacionados a cada assunto. Deve-se avaliar se o resultado pretendido está sendo alcançado e para os riscos relevantes devem-se planejar ações para sua mitigação ou eliminação.
A implementação de novas tecnologias ou processos requer, portanto, cuidado, análise e ponderação. Não se deve, jamais, esquecer as diretrizes do negócio, no entanto é necessário garantir que todas as dimensões sejam incluídas na balança antes da tomada de decisão.
O CTE, por meio da Unidade de Projetos Especiais, tem auxiliado diversas empresas em todo esse processo para a seleção de alternativas tecnológicas.
Pra saber mais sobre este novo trabalho do CTE, entre em contato com Márcia Menezes dos Santos: marciame@cte.com.br
| * Márcia Menezes dos Santos é Diretora da Unidade de Projetos Especiais do CTE. Arquiteta e Urbanista pela FAU-USP e Mestre em Engenharia de Produção pela EPUSP. Especialista em Qualidade e Produtividade pela FCAV/USP. MBA Internacional em Gestão Ambiental pela Proenco/Câmara Brasil Alemã. Auditora Líder formada pelo QMI/Inglaterra e FCAV (1997). Auditora Ambiental pela JPD Training Limited/Reino Unido. Especialista nas áreas de gerenciamento de projetos e obras, gestão empresarial, do meio ambiente e da qualidade. | ![]() |