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NOSSAS OBRAS ESTÃO FORA DE CONTROLE?
Blog | 29/03/2010
por Roberto de Souza - diretor do CTE

Nos contatos e trabalhos do CTE que venho desenvolvendo nestes últimos três meses, tenho observado uma constante entre diretores técnicos e gestores de obra de empresas incorporadoras e construtoras de diferentes portes. Parece estar emergindo no setor uma nova constatação em relação aos prazos de obras, já admitida de forma natural como se fosse parte do processo de construção: “as nossas obras estão atrasadas,... já entramos nos seis meses de carência de entrega, e estamos fazendo o possível para não ultrapassar este prazo”.

Em relação aos custos há alguns sinais de que o custo real das obras está paulatinamente se descolando do INCC, base de reajuste dos contratos com o consumidor. Se isto se caracterizar como tendência poderá haver comprometimento da margem de rentabilidade dos empreendimentos hoje em execução.

A qualidade das obras também parece que está deixando a desejar. Os sistemas de gestão da qualidade, as inspeções de serviços e os controles tecnológicos, encontram dificuldades para rodar nos canteiros, podendo gerar futuros problemas de assistência técnica pós-entrega.

Refletindo sobre essas questões surge uma pergunta: Afinal porque estamos perdendo o controle de nossas obras?

Estamos deixando de lado o processo de planejamento e controle de obras?

Curvas de balanço e ordem de precedências de atividades não estão sendo consideradas?

O controle do progresso físico e dos custos das obras não têm sido feito e o planejamento não tem sido realimentado?

A área de suprimentos não está fazendo uma boa seleção de fornecedores de materiais e serviços?

A qualidade dos projetos está deixando a desejar?

A padronização de processos de execução e inspeção de serviços não está sendo praticada?

As inspeções de materiais e o controle tecnológico estão ausentes dos planos da qualidade das obras?

O ciclo PDCA não está sendo praticado na gestão das obras?

Estamos falhando na identificação de não-conformidades, na investigação de causas e na adoção de ações corretivas e preventivas?

O grande aumento da escala de produção das empresas e a diversidade regional tornou mais complexo o controle de prazos, custos e qualidade?

Falta treinamento e qualificação dos engenheiros, gestores, supervisores e operários de obra?

O perfil dos empreiteiros de serviços mudou e a capacitação das suas equipes decaiu?

As empresas estão perdendo sua cultura construtiva com a entrada de novos e jovens profissionais?

Ou falta um processo de gestão integrada de obras com foco na engenharia de produção, na tecnologia de construção e no planejamento e controle?

Talvez falte um pouco disto tudo e cada empresa tenha um ou mais pontos fracos a serem atacados.

O fato é que de uma forma geral parece que estamos efetivamente perdendo o controle das obras e isto é muito preocupante.

Preocupante por dois grandes motivos: de um lado isto pode gerar a insatisfação dos clientes finais em relação ao atraso na entrega dos empreendimentos e em relação a sua qualidade final. De outro lado isto pode afetar a rentabilidade dos empreendimentos e por conseqüência influir na saúde financeira das empresas e arranhar sua imagem no mercado.

Cabe a nós, individualmente, empresas e profissionais do setor, identificar as causas reais dos problemas com os prazos, custos e qualidade, e promover ações corretivas e preventivas para garantir o planejamento e o controle das obras, a satisfação dos clientes e a rentabilidade de nossas empresas.

Talvez o assunto mereça também uma reflexão e uma ação estratégica setorial, envolvendo as várias entidades e empresas da cadeia produtiva da construção.

Será que não estamos precisando estabelecer um pacto setorial, visando desenhar novos paradigmas e processos de inteligência compartilhada entre os vários agentes do setor, preparando as bases para um novo e virtuoso ciclo de crescimento sustentável do mercado imobiliário para os próximos dez anos?



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