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Projeto para produção do revestimento de fachada gera eficiência produtiva e evita patologias
Projetos CTE | 12/02/2009
por * Entrevista concedida por Luciana Maciel / Gerente Técnica da Unidade de Consultoria Empresarial do CTE

Por que é importante hoje o desenvolvimento de um projeto para produção de revestimento de fachada pelas construtoras?

A grande importância de um projeto para produção do revestimento de fachada está no fato de que ele disponibiliza para a obra um conjunto de informações fundamentais para a execução e o controle do revestimento, que abrange tanto as especificações relativas aos produtos a serem utilizados como também aos detalhes construtivos do revestimento, além das diretrizes necessárias para a sua produção e controle.

Ou seja, no desenvolvimento desse projeto, o produto é encarado com a visão de processo, introduzindo-se informações de caráter tecnológico. E, como o desenvolvimento do projeto ocorre em uma etapa anterior à execução do revestimento, é possível antecipar a tomada de decisões, buscando-se melhores soluções para o produto e para a tecnologia construtiva a ser adotada.

São consideradas e analisadas – para a elaboração do projeto para produção do revestimento de fachada – as possíveis interferências com os diversos subsistemas que fazem parte do edifício, tais como a estrutura, a alvenaria e os sistemas prediais. Dessa forma, as especificações do revestimento e a as diretrizes de execução e controle são estabelecidas previamente com base em uma visão sistêmica.

Reside aí, portanto, em todo este processo, a importância de as empresas desenvolverem esse projeto, pois terão a possibilidade de obter subsídios completos para a execução e controle do revestimento da fachada, dentro de uma visão ampla e sistêmica de todo o processo construtivo.

Quais os ganhos que a empresa pode ter com esse tipo de projeto? Os bons resultados chegam aos clientes e usuários da edificação?

Disponibilizando esse projeto na obra e trabalhando no sentido de sua correta aplicação, a empresa obtém ganhos de eficiência produtiva e qualidade do revestimento da fachada.

As especificações e as diretrizes de execução e controle definidas no projeto favorecem a redução dos desperdícios, retrabalhos e falhas durante a execução do revestimento, o que resulta em maior eficiência produtiva, fator fundamental para o bom desempenho da empresa, principalmente no contexto atual da crise econômica. Além disso, as informações do projeto promovem a melhor qualidade final do revestimento da fachada e o seu desempenho adequado ao longo do tempo, evitando a ocorrência de futuras patologias, tais como destacamentos, fissuras e manchas.

Vale lembrar que, de forma geral, as patologias que ocorrem na fase de uso das edificações são extremamente indesejadas pelas construtoras e, no caso das patologias em revestimentos de fachada, o seu tratamento é sempre muito trabalhoso e envolve elevados custos. Além disso, a recuperação de uma fachada gera muito desgaste para a construtora, podendo causar sérios problemas no relacionamento com o cliente.

É importante frisar que os revestimentos, além dereproduzir as características estéticas do edifício,cumprem o importante papel de proteger oselementos de vedação dos edifíciose auxiliar na estanqueidade e no isolamento termoacústico da fachada. Portanto, através da manutenção do desempenho adequado do revestimento da fachada ao longo do tempo e da eliminação dos transtornos decorrentes da ocorrência de patologias na fachada, os resultados de uma boa execução do revestimento da fachada chegam também para os clientes e usuários.

Luciana Maciel, responsável pela consultoria
do
CTE que envolvem projetos para produção
do revestimento de fachada

Quais as informações fundamentais que devem ser apresentadas em um projeto deste tipo?

O projeto para produção do revestimento de fachada deve ser desenvolvido de forma integrada com os demais projetos do edifício, levando-se em consideração todas as interfaces com os outros projetos, as diretrizes técnicas da construtora e os requisitos de desempenho do revestimento de fachada.

Como já foi mencionado anteriormente, o conteúdo do projeto para produção do revestimento divide-se em informações relativas ao produto e à sua produção. Em síntese, as principais informações que devem ser apresentadas são:

Tipo de material a ser utilizado em cada camada do revestimento, após a avaliação de suas propriedades.
Tipo de acabamento superficial de cada camada do revestimento.
Características geométricas e espessuras do revestimento.
Detalhes construtivos, como as juntas de trabalho, telas, quinas, cantos, pingadeiras e peitoril.
Ferramentas e equipamentos a serem utilizados para a produção do material de revestimento e para a execução do revestimento e dos detalhes construtivos.
Diretrizes de execução e sequência das atividades.
Diretrizes de controle dos serviços.
Intervalos recomendados entre as atividades de execução dos serviços.
Posicionamento e dimensionamento dos equipamentos de suporte provisório.
Organização do canteiro para agilizar o fluxo de materiais e pessoas.

É importante ressaltar que a efetiva utilização do projeto para produção na obra requer também orientação da equipe de produção, que deve realizada por meio de treinamentos da equipe de produção e acompanhamentos periódicos durante a execução dos serviços. Por esses acompanhamentos, é possível verificar o atendimento às diretrizes do projeto e aos procedimentos de execução e controle previamente definidos.

O que há de novo hoje no mercado – em termos de materiais, equipamentos e novas tecnologias – que contribui para a melhoria dos revestimentos?

Em termos de materiais, observamos um desenvolvimento maior da indústria de selantes e aditivos, que apresentou novos produtos para melhorar o desempenho do revestimento.

Quanto à indústria cerâmica, foi desenvolvido um sistema de fixação para as placas de porcelanato na fachada, com a utilização de inserts metálicos em substituição à argamassa colante, a fim de obter melhor aderência dessas placas. Além do desenvolvimento desse sistema, há uma diversidade maior de ferramentas para execução do revestimento cerâmico.
No caso do revestimento de argamassa, está disponível um sistema prático de projeção de argamassa por meio da passagem de ar comprimido (fornecido por um compressor a diesel ou elétrico) por dentro de uma pistola-caneca.

Além do desenvolvimento de produtos, equipamentos e tecnologias, é importante destacar a atuação das entidades setoriais, representantes da área de projetos e das construtoras, no sentido de definir e detalhar, de forma abrangente, o fluxo de atividades da elaboração de projetos de vedações verticais e revestimentos da indústria imobiliária, sendo consolidado o Manual de Escopo de Projetos e Serviços de Revestimentos, que pode ser consultado no site: www.manuaisdeescopo.com.br.

Embora os revestimentos sejam empregados de forma ampla na construção civil, patologias acontecem com frequência. Quais as principais patologias e por que elas ocorrem? Podem ser evitadas?

As patologias mais frequentes nos revestimentos de fachada são as manchas de umidade, os destacamentos e as fissuras. Elas podem ter origem na fase de projeto, execução ou mesmo na fase de uso da edificação.

Na fase de projeto, as patologias podem ser decorrentes da ausência ou deficiência da especificação dos detalhes construtivos, seleção inadequada dos materiais, falta de definição dos procedimentos de execução e de controle do revestimento.

Na fase de execução, as patologias podem ocorrer em função da não-conformidade entre o projetado e o executado, das alterações inadequadas das especificações de projeto, da má qualidade dos materiais adquiridos, da adoção de técnicas inadequadas de produção e controle da argamassa e do revestimento, da mão-de-obra inadequada ou não treinada, o que resulta em falha na preparação da base, aplicação incorreta da argamassa e erros na mistura da argamassa, por exemplo.

Com relação à fase de uso da edificação, as patologias podem surgir devido à remodelação ou alteração mal estudada, à degradação dos materiais por má utilização dos usuários, ausência de manutenção, etc.

Você poderia exemplificar alguns projetos para o revestimento que foram realizados pelo CTE em parceria com empresas?

Uma das atuações do CTE no desenvolvimento do projeto para produção do revestimento de fachada vem acontecendo com a empresa STUHLBERGER desde 2002.

O trabalho com a STUHLBERGER é desenvolvido em duas etapas: a primeira de detalhamento do revestimento e a segunda de controle da execução do revestimento de fachada.

Na primeira etapa, definimos as argamassas e os detalhes construtivos, bem como as ferramentas e equipamentos a serem empregados. Também são definidas as diretrizes para execução e inspeção, considerando os procedimentos já adotados pela empresa.

Para a definição da argamassa do revestimento da fachada, são avaliados previamente diferentes tipos de argamassa e de chapisco: fazemos painéis de argamassa na fachada da obra sobre o substrato chapiscado (alvenaria e estrutura) e, nesses painéis, são realizados ensaios de resistência de aderência à tração e observada a formação de fissuras ou pulverulência superficial. A partir da análise dos resultados obtidos nos ensaios, é escolhida a argamassa de revestimento a ser aplicada nas fachadas.

Para a definição dos detalhes construtivos, são analisados os projetos de estrutura e demais projetos que apresentam interferência com a fachada e também avaliadas as regiões que vão precisar de reforços com tela ou de juntas de movimentação, além dos elementos de proteção que precisam ser aplicados.

Nesta etapa do trabalho, são apresentados os seguintes documentos à empresa:

Elevação das Fachadas: com o posicionamento dos frisos e/ou as juntas de movimentação, regiões para colocação das telas e seus detalhes.
Caderno Técnico: com a análise dos resultados dos ensaios realizados e as diretrizes para execução e inspeção do revestimento da fachada, que deverão ser seguidas pela equipe de produção do revestimento na obra.

Na segunda etapa do trabalho, é realizado o acompanhamento da execução do revestimento da fachada: fazemos visitas técnicas à obra, a fim de orientar sobre a produção das argamassas e verificar a execução do revestimento da fachada. Nessas visitas, há participação do engenheiro de produção e/ou do mestre-de-obra, encarregado, estagiário, para que sejam analisados todos os aspectos relativos ao revestimento e resolvidas as possíveis dificuldades surgidas durante o processo.

Após a conclusão do revestimento fachada, os ensaios de aderência são realizados em pontos específicos a serem definidos, para controle final do revestimento executado.

As fotos, que vêm a seguir, exemplificam o trabalho que desenvolvemos sobre o projeto de produção de revestimento de fachadas com a STUHLBERGER.

Painel de revestimento de argamassa e ensaios de aderência


Execução das juntas de trabalho no revestimento de argamassa com a utilização da régua e do frisador

Execução das juntas de trabalho no revestimento cerâmico com aplicação do selante

Realização de ensaio de aderência para controle final do revestimento

* Luciana Maciel é Engenheira Civil pela Escola Politécnica da UFBA – Universidade Federal da Bahia (1994) e Mestre em Engenharia de Construção Civil e Urbana pela Escola Politécnica da USP (1997). Auditora líder ISO 9001 pela Fundação Carlos Alberto Vanzolini (2000). Auditora líder ISO 14001 e Auditora líder OHSAS 18001 pela Fundação Carlos Alberto Vanzolini (2008). Especialista em Sistemas de Gestão Integrada (qualidade, meio ambiente, segurança do trabalho e saúde ocupacional). Autora dos livros "Projeto e execução de revestimento de argamassa" (O Nome da Rosa, 2008) e "Projeto e execução de revestimento cerâmico" (O Nome da Rosa, 2008).






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