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Pensar estrategicamente diante da crise
Artigos | 14/04/2009
por Alexandre Mendes / Analista Financeiro do CTE

Quando passamos por momentos de crise, é natural que logo apareçam as dúvidas e incertezas quanto aos próximos cenários.

Pensamos primeiramente nas dificuldades, tomando os maiores gastos e os menores resultados como pontos principais para avaliação de nossa capacidade de dar conta ou não do recado. E, em momentos conturbados, a tendência é privilegiarmos as primeiras soluções para cenários dramáticos de “redução” e riscos, muitas vezes nos acomodando a elas, sem enxergarmos que podemos encontrar outras e novas possibilidades no decorrer do tempo.

Não devemos em hipótese alguma ignorar a crise que bate à nossa porta, mas podemos tirar proveito dela, adquirindo alguns bons e novos conhecimentos, que, em última instância, nos farão crescer. Saber enfrentá-la com firmeza e responsabilidade, e ao mesmo tempo com dinamismo e criatividade diante dos fatos, pode nos fazer compreender essa possibilidade de crescimento.

Muitos já devem ter lido sobre o significado do ideograma chinês para Crise (que tem circulado por todos os e-mails nestes últimos meses), que seria composto de dois ideogramas, um para Perigo e outro para Oportunidade. Na verdade, parece que esse ideograma para Crise, segundo estudiosos da cultura chinesa, seria composto sim do ideograma para Perigo e de outro para o que seria, não exatamente para Oportunidade, mas para uma conjuntura favorável de circunstâncias ou uma boa chance para avanço ou progresso.

Já na nossa língua portuguesa, a palavra crise tem origem no latim, na palavra “crisis”, que significa oportunidade de tomar decisões. Acredito que ninguém toma decisões para piorar, muito pelo contrário: as decisões devem vir para melhorar, desenvolver, avançar.

Ou seja, com sabedoria, podemos enxergar que, em momentos de crise, nos deparamos sim com o Perigo e, ao mesmo tempo, com uma conjuntura de Oportunidades, que pode ser favorável e nos dar a chance de tomar decisões para Progredir.

Vamos a algumas ações interessantes do mercado em momento de risco, que traduzem essas possibilidades favoráveis.

Temos o exemplo da Camargo Corrêa que, segundo informações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), comprou uma fatia da Votorantim da CPFL por R$ 2,6 bilhões, com o objetivo de atuar também na área de energia, refazendo assim, em função da crise, um replanejamento estratégico da organização: um grupo será responsável por energia e concessão de estradas, outro grupo estará focado em construção e um terceiro grupo será responsável por cimentos.

Estrategicamente, a Camargo Corrêa tem contribuído através da VBC Energia (empresa que detém a maior participação no bloco de controle da CPFL Energia), em parceria com investidores, com o propósito de consolidar a CPFL Energia como empresa líder em seu segmento.

Outro exemplo é a própria Votorantim, que comprou ativos da Aracruz (fusão), porque um de seus principais focos estará no papel e celulose. Lembrando que a Votorantim perdeu US$ 2,7 Bilhões por conta dos derivativos e, com isso, está tentando se capitalizar.

A Vale do Rio Doce, a segunda maior mineradora diversificada do mundo e a maior empresa privada da América Latina, com capitalização de mercado de aproximadamente US$ 60 Bilhões, também seria um bom exemplo aqui. Seu principal objetivo é fortalecer sua posição como uma das líderes entre as empresas de mineração e metais no mundo, utilizando-se da seguinte estratégia: (1) fortalecimento no mercado de minério de ferro e níquel, (2) aumento de sua distribuição geográfica e por produto e (3) expansão de suas capacidades logísticas. Com toda a sua estrutura, A Vale comprou vários ativos de sua concorrente, a Rio Tinto, lembrando que o seu foco principal é o crescimento orgânico com o desenvolvimento de vários projetos, através de seus ativos de classe mundial.

Muitas empresas estão realmente aproveitando esse momento para uma reflexão. Algumas grandes empresas estão se reorganizando e aproveitando os riscos e as chances que a crise apresenta, vendendo seus ativos, analisando seus custos e investimentos, revendo seu orçamento e planejamento. Pequenas e médias empresas devem seguir este mesmo caminho da reflexão, análises e reorganização para traçar perspectivas de continuidade.

Podemos observar que as empresas que possuem um bom planejamento estratégico continuam fazendo negócios e se desenvolvendo, talvez com a velocidade reduzida, mas buscando manter a mesma estrutura e solidez que sempre tiveram.

Uma pesquisa recente da Terco Grant Thornton, realizada em 36 países, aponta o empresário brasileiro como o quarto mais otimista do mundo. Controle inflacionário, reservas cambiais e sistema bancário bem organizado são responsáveis pela visão positiva do país. “Por serem mais enxutos e menos burocráticos, os pequenos e médios negócios têm mais capacidade de adaptação em períodos críticos”, afirma Mauro Terepins, presidente da empresa de consultoria.

Esperamos que, com empenho, determinação e comprometimento, as empresas alcancem os seus objetivos, comprometendo-se com os resultados, bem como uma definição de metas de forma clara e objetiva para a evolução sustentável do negócio e a continuidade do aquecimento da economia. Ou seja, “em meio à chuva, podemos nos molhar ou vender guarda-chuvas”.

A questão agora é como visualizar a crise do ponto de vista da oportunidade e, no momento certo, pensar estrategicamente para dar a volta por cima dela. Afinal, como disse Albert Einstein: “A crise traz progressos. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar superado.”

* Alexandre Mendes é Analista Financeiro do CTE, Administrador de Empresas pela Faculdade Brasileira de Recursos Humanos, com pós-graduação em Planejamento e Controle Empresarial pela FAAP.






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