EMPRESA TENDÊNCIAS NA CONSTRUÇÃO NOTÍCIAS EVENTOS CONTATO
Investidor estrangeiro reforça setor imobiliário nacional
Notícia | 25/05/2012
Fonte: Brasil Econômico

O investimento estrangeiro direto (IED) nos negócios imobiliários está em expansão. Dados do Banco Central, de janeiro a março deste ano, mostram que a construção de edifícios teve alta de 11,5% na comparação com o mesmo período de 2011. Nos três primeiros meses de 2012, o total de recursos carimbados para a atividade imobiliária alcançou 5,4%. Em2011, o segmento respondeu por 4,8% da receita anual, com US$ 3,3 bilhões. Mas o apetite de parte destes investidores não é saciado apenas bancando novas edificações. O mercado cada vez mais presencia o desembarque de companhias transnacionais, que operam diretamente ou em parcerias e acirram a concorrência doméstica. "Há cinco anos o Brasil entrou no radar dos grandes investidores que querem alocar recursos para cá, na estratégia de diversificação", diz Daniel Cherman, presidente da Tishman Speyer, gigante no segmento de alto padrão, cujo portifólio soma US$ 54 bilhões e inclui construções ícones como o Rockefeller Center e o prédio da Chrysler, emnova York. De 2007 para cá, a empresa alocou R$ 2 bilhões em empreendimentos residenciais e comerciais em São Paulo, Rio e Brasília. Hoje, os investimentos no Brasil equivalem a 10% do budget global. Com China e Índia, a soma chega aos 20%. "Nos próximos três anos os recursos para estes mercados devem alcançar 40%", diz Cherman.

Com US$ 1 bilhão disponível para ações em três anos, a Related Brasil - nascida da junção das incorporadoras americanas Related Group e Related Companies, pesos-pesados nos mercados da Flórida e de Nova York, respectivamente - está em negociações para lançamentos de dois ou três projetos no Nordeste. "A região oferece oportunidades interessantes, mas olhamos também para o Rio, São Paulo e cidades próximas da região metropolitana e no interior", diz Daniel Citron, presidente-executivo da Related Brasil. "A liquidez está voltando ao mercado global e a promessa de lucro com imóveis no Brasil seduz o investidor. Mas estamos longe do que vivemos entre 2005 e 2007, quando o mercado captou mais de R$ 16 bilhões em IPOS das empresas do setor imobiliário. A maior parte dessas ações foi adquirida por fundos estrangeiros", diz Eduardo Zaidan, vice-presidente do Sinduscon, o sindicato da construção. "Se considerarmos o tamanho das carteiras dos fundos, esses valores não representam nem 5%, o que nos abre uma considerável janela de crescimento."

O caixa da Brazilian Capital, integrante da holding Brazilian Finance & Real Estate, conta com R$ 2 bilhões, distribuídos em nove fundos, ligados a construções residenciais e comerciais, prédios de escritórios, shoppings, hotéis e escolas. "O investidor internacional começa a ver bons retornos com o Brasil. O único fator hoje que está trabalhando contra a atratividade é a cobrança de 6% da taxa do IOF, que precisa ser reduzida ou eliminada", diz Victor Moscoso, diretor da corporação.

Brasil é o melhor entre os emergentes

"Ficamos atônitos este ano ao ver como os nossos membros classificaram o Brasil e a cidade de São Paulo em suas avaliações de oportunidades de investimento imobiliário", diz James Fetgatter, CEO da Associação de Investidores Estrangeiros em Imóveis (Afire).

No mais recente levantamento anual da entidade, o Brasil aparece como o primeiro colocado para investimento entre os mercados emergentes. Na disputa com todos os países, é a segunda melhor opção, perdendo para os Estados Unidos. No ranking das cidades globais, São Paulo está em quarto lugar, atrás de Nova York, Londres e Washington. "Verdadeiramente, é uma realização extraordinária", diz o executivo da Afire. As sondagens da entidade americana são um termômetro para os gestores de investimentos do ramo imobiliário internacional. O orçamento dos sócios da Afire, a maior parte de origem alemã, é estimado em US$ 874 bilhões.

Leda Rosa

Fonte: Brasil Econômico, edição impressa de 25/05/2012



Voltar