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Fragilidade urbana
Notícia | 29/05/2012
Fonte: SindusCon-SP

o Brasil como país emergente alçado à posição de sexta economia mundial, um investidor estrangeiro que desembarcasse na última quarta-feira em São Paulo possivelmente ficaria perplexo.
No mesmo dia em que uma greve de metroviários gerava um gigantesco congestionamento na cidade e paralisava grande parte da atividade econômica, a indústria automobilística publicava anúncios com ofertas de desconto, favorecida por redução do IPI e aumento da oferta de crédito.
Se o trânsito já constitui um grave problema em São Paulo mesmo sem paralisação de metroviários, veja-se o que aconteceu quando a Prefeitura liberou os veículos do rodízio na quarta-feira: 5 milhões de pessoas tiveram grandes dificuldades ou sequer chegaram aos seus locais de trabalho ou estudo.

Já o governo federal, ao reduzir o IPI da indústria automobilística até o início de agosto e favorecer o aumento do crédito, pretende evitar que o PIB cresça neste ano menos que os 2,7% de elevação registrados no ano passado.
Pontualmente, parece fazer sentido. A cadeia produtiva automobilística representa perto de 20% do PIB. Seu efeito multiplicador tornou-se tão relevante que o BNDES, antes focado no fomento ao desenvolvimento da indústria, principalmente de bens de capital, hoje já destina 30% de seus financiamentos ao setor automotivo.

Mas em dias como a última quarta-feira fica mais flagrante a fragilidade de uma infraestrutura urbana que ao longo de décadas deixou de receber investimentos para a expansão das malhas viária e metroviária, a construção do Rodoanel, o aumento das vias exclusivas de ônibus etc.
Para a indústria da construção, o prejuízo não fica apenas na perda de um dia de trabalho, seja porque grande parte dos trabalhadores não conseguiu chegar aos canteiros, seja porque os caminhões com os insumos atrasaram horas ou simplesmente não vieram. Implica a reprogramação de vários dias da obra e gera mais atrasos justamente no momento em que muitas construtoras superam gargalos de produção e normalizam seus cronogramas de obras.

Além disso, num cenário em que os governos ficaram sem recursos suficientes para a expansão da infraestrutura, construtoras de empreendimentos geradores de tráfego assumiram a responsabilidade de executar melhorias no sistema viário.
Isso encarece o custo dos empreendimentos e tem criado a preocupação de que, mesmo autorizadas pelas prefeituras, obras não obtenham o Habite-se por questionamento posterior do Ministério Público.

Naturalmente, para que haja segurança jurídica, a solução é que construtoras, prefeituras e Ministério Público mantenham um acompanhamento conjunto das exigências, desde a fase de aprovação dos projetos.
Quanto ao crescimento sem sustos almejado para o país, este ainda depende das reformas estruturantes.

Fonte:www.sindusconsp.com.br/msg2.asp



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