CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL
O novo paradigma da civilização é, sem dúvida, a sustentabilidade.
Chegamos a um momento em que é necessário reinterpretar o conceito de desenvolvimento,
contemplando maior harmonia e equilíbrio do ser humano com a natureza, entre o todo e as partes,
e combinar os processos econômicos, sociais, culturais e políticos para que os recursos naturais das gerações futuras não sejam comprometidos.
Estas necessidades de mudanças têm hoje mobilizado a sociedade civil, investidores,
financiadores e consumidores, que passaram a exigir responsabilidade das empresas com relação ao impacto de suas atividades em todo entorno.
No setor da construção, estas exigências têm se acentuado devido ao alto impacto ambiental e social das atividades de fabricação de materiais,
projeto, construção, uso e operação de edificações, empreendimentos e obras pesadas.
Alguns dados do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) traçam um cenário sobre os impactos do setor e seus desdobramentos:
- 75% dos recursos naturais extraídos são para uso na construção.
- Geração de 80 milhões de toneladas/ano de resíduos.
- Liberação de gases do efeito estufa, como CO2 e Compostos Orgânicos Voláteis (COV) nos vários processos de fabricação de materiais.
- 20% de toda a água é consumida nas cidades, sendo parte desperdiçada.
- A operação dos edifícios é responsável por 18% do consumo total de energia do país e por cerca de 50% da energia elétrica.
- O setor é o maior gerador de empregos diretos e indiretos.
- Parte dos operários da construção se encontra na linha de pobreza.
- A informalidade é prática de mais de 50% das empresas do setor.
Sendo o setor responsável por fortes impactos como esses e também responsável pela qualidade dos espaços construídos,
é importante que reflita, em toda sua cadeia produtiva, sobre suas atividades e compromissos,
reconhecendo a necessidade de adotar um novo olhar e desenvolver formas inovadoras para lidar com as empresas,
os negócios e os empreendimentos, gerando resultados para os acionistas, colaboradores, clientes e sociedade,
sem causar danos ao meio ambiente.
Atualmente, com o mercado aquecido e em pleno crescimento,
o setor da construção vive um momento muito favorável e
extremamente rico em oportunidades para desenvolver sua própria agenda de ações com relação à sustentabilidade.
Por um lado, as empresas podem investir em um forte diferencial,
considerando a sustentabilidade corporativa: uma visão de negócios de longo prazo,
que incorpora as dimensões socioambientais à estratégia e aos objetivos econômicos da empresa.
Por outro lado, podem agregar valor aos seus empreendimentos, considerando a sustentabilidade das edificações:
o desenvolvimento de projetos que visam à certificação ambiental do empreendimento e contemplam a redução dos impactos e a qualidade da implantação do edifício,
economia de água, eficiência energética, redução do uso de recursos não-renováveis, especificação de materiais sustentáveis,
industrialização da construção, melhoria da qualidade do ambiente construído, manual de uso e operação do empreendimento,
adoção de indicadores de desempenho do empreendimento em relação à sustentabilidade,
saúde e segurança no trabalho, qualificação profissional, trabalho justo, etc.
Diante desse contexto de mudanças dos paradigmas, o CTE — consciente de seu papel pró-ativo no setor da construção
— coloca à disposição esta página sobre construção sustentável, que pretende orientar e informar sobre os vários aspectos,
ações e projetos que visam à sustentabilidade na construção.
Para colaborar de imediato com esta reflexão, apresentamos o Indicador de Consumo de Energia, um aplicativo que pode fornecer direções
às equipes de projeto, de obra, compradores e fornecedores sobre o consumo de energia do edifício — com base na regulamentação do
Procel Edifica. A intenção deste aplicativo é dar maior agilidade aos projetos e aos fabricantes de materiais, tendo uma base de dados
e referências sobre produtos e soluções.
Veja a influência da arquitetura no consumo de energina do edifício, de acordo com a regulamentação do selo Procel Edifíca.